09/01/2020

O "pai da Europa"

Depois de três décadas de guerra, Carlos Magno conseguiu alargar bastante as fronteiras do reino franco incorporando na Europa cristã zonas ainda consideradas bárbaras bem como territórios até então governados pelos Muçulmanos.

Coroado imperador pelo Papa, em Roma, no dia de Natal do ano 800, Carlos Magno – que acabaria por reinar quarenta e cinco anos – foi ‘cabeça’ de um império com uma dimensão territorial muito inferior à atingida pelo Império Romano e sem a vertente marítima deste: o Império Carolíngio era um império continental e o seu eixo de poder estava agora no Norte da Europa.

Ainda assim, não foi por acaso que o lema de Carlos Magno foi "Per me Reges regnant" ("só Através de mim os Reis mandam", em português).

Por muitos considerado, por isso mesmo, o "pai da Europa", foi decidido criar, muitos séculos depois da sua morte, em 1950, o "Prémio Carlos Magno" para distinguir personalidades que tivessem contribuído para fortalecer a unidade e a coesão do continente europeu.

Ora, António Guterres, o português secretário-geral da Organização das Nações Unidas (a ONU) tornou-se, em 2019, o primeiro português a receber tal distinção.

08/01/2020

Seguir em frente

"Se não conseguires voar, corre. Se não conseguires correr, anda. Se não conseguires andar, rasteja. No entanto, faças o que fizeres, assegura-te de que continuarás a seguir em frente".



Martin Luther King, Jr. (1929-1968), activista norte-americano

07/01/2020

"T-shirts" portuguesas

No Campeonato Mundial de futebol que se realizou em 2014 no Brasil participaram trinta e duas selecções.

E, entre elas, a portuguesa.

De facto, o lema da selecção ‘A’ de futebol de Portugal nessa competição mundial foi "O passado é história, o futuro é a vitória".

Ora, parece que este mesmo lema foi igualmente seguido noutras dimensões que não a meramente desportiva: cerca de dois terços de noventa modelos de "t-shirts" para uso dos adeptos no apoio às selecções que iriam disputar o Mundial 2014 continham substâncias tóxicas, designadamente cádmio e (outras) substâncias cancerígenas, de acordo com testes realizados por uma empresa multinacional líder na prestação de serviços de inspecções e certificações feitos em conformidade com as normas europeias. Pelo contrário, as "t-shirts portuguesas" – bem como as produzidas na Bósnia Herzegovina –, passaram nos testes em toda a linha: além de não apresentarem quaisquer substâncias tóxicas nocivas para a saúde, destacaram-se ainda pela qualidade dos acabamentos e pelo aspecto após a lavagem.


06/01/2020

Ou guerra ou dignidade...

"Cada arma de fogo que é produzida, cada navio de guerra que é posto no mar e cada míssil que é disparado [significam] um roubo a todos os que têm fome e que não se podem alimentar e a todos os que têm frio e que não se podem vestir".



Excerto de um discurso proferido pelo 34.° presidente dos Estados Unidos da América, Dwight Eisenhower ("Ike"), em Agosto de 1953.

04/01/2020

Aomen para além do jogo

Já aqui escrevi algumas vezes sobre Macau e agora não é, justamente, excepção.

Ora, ao mesmo tempo que assinalava os vinte anos da transição política e administrativa de Portugal para a China, as autoridades de Pequim expressaram a ambição de que a economia de Macau - ou Aomen, em mandarim - deixasse de estar tão dependente do Jogo (fisicamente encarnado pela 'figura' do casino) e se expandisse para os sectores do Turismo e da Finança, sobretudo.

Assim, ao ler sobre este desejo não pude deixar de me lembrar do pensamento 'geral' que o arquitecto macaense Carlos Marreiros expressou sobre "esta matéria" numa reportagem especial, por assim dizer - "Chão de Macau", se não me engano - que foi emitida, televisivamente, em 2012: imaginasse-se, referiu, que num futuro mais ou menos próximo Cantão [região onde Macau se 'insere'] resolvia liberalizar o Jogo. Então, concluiu, Macau morreria.

03/01/2020

O medo colectivo

"O medo colectivo estimula o instinto de rebanho e tende a provocar a fúria para com aqueles que não são vistos como membros do rebanho".


Bertrand Russell (1872-1970), filósofo e matemático inglês

02/01/2020

Calouste Gulbenkian

Quando morreu, em Lisboa, em Julho de 1955, o empresário e coleccionador que havia nascido na cidade turca de Istambul mas que tinha ‘raízes’ familiares – ou seja, étnicas e culturais – na Arménia, Calouste Gulbenkian, tinha dois pequenos papéis no bolso.

Um com duas frases do empresário norte-americano Henry Ford e o outro também com uma frase do filósofo romano Séneca.

Ora, as frases de Henry Ford eram estas: "Do your own work, mind your own business, and don’t engage in controversy – that’s the way to get along. And, above all else, keep away from lawyers, they’re bound to get you into trouble" (ou, em língua portuguesa, "Faz o teu próprio trabalho, cuida dos teus próprios assuntos e não te envolvas em conflitos – é a melhor forma de te dares bem. E, acima de tudo, afasta-te dos advogados, é provável que te metam em sarilhos"***).

E a de Séneca: "Vivez chaque jour comme si ce jour representait les limites de votre vie et rendez-le aussi agreable que possible parce qu’il contient la seule realite dont vous disposiez" (ou, em português, "Viva cada dia como se esse dia representasse os limites da sua vida e torne-o tão agradável quanto possível, porque ele contém a única realidade de que dispõe").

Assim, com esta ‘bagagem’ ética e moral, não admirará que o lema de Calouste Gulbenkian – como coleccionador, sim, mas não só – fosse "only the best is good enough for me" (ou, em português, "apenas o melhor é para mim suficiente").




*** Curiosamente, o sítio da Fundação Calouste Gulbenkian na "Internet" (https://gulbenkian.pt/) refere o seguinte: "Em testamento (1953) deixou importantes legados aos seus filhos, definiu pensões vitalícias para outros familiares e colaboradores, e estabeleceu a constituição de uma fundação internacional, com o seu nome, herdeira do remanescente da sua fortuna, com sede em Lisboa, presidida pelo seu advogado de confiança, Lord Radcliffe. A ele confiou a missão de agir em benefício de toda a "humanidade"".