18/01/2020

A Ordem da Jarreteira

A Ordem da Jarreteira (ou "The Order of the Garter") é a mais ‘alta’ condecoração da cavalaria do Reino Unido.

Fundada pelo rei Eduardo III de Inglaterra em 1348, apenas a/o monarca do país pôde (e pode) atribuir tal condecoração e somente a personalidades que se tenham destacado pelos serviços prestados à Coroa.

Embora a Ordem da Jarreteira tenha como lema "Honi soit qui mal y pense" (ou, em português, "Envergonhe-se quem vê nisto malícia"), não foi por vergonha, nem por maldade, que o primeiro português a ser agraciado por tal condecoração tenha sido D. João I (fruto do seu casamento com a inglesa Phillipa of Lancaster – ou Filipa de Lencastre) e que o último tenha sido o rei D. Manuel II (que acabou por se exilar em Londres).


17/01/2020

Gulliver e Portugal

O escritor irlandês Jonathan Swift publicou na primeira metade do século XVIII um livro cuja narrativa o faz figurar actualmente como um dos grandes romances da literatura inglesa: "As Viagens de Gulliver".

Pela imaginação e a pena de Swift surgiram, então, as ilhas de Lilliput e de Blefusco.

Ora, o lema dos habitantes desta última era "Rapio Et Abfugio" (ou, em português, "Roubai E Fugi").

No entanto, não foi preciso roubar, nem fugir, para fazer de Portugal – Lisboa (a "Baixa Pombalina") e Mafra (o hoje denominado "Palácio Nacional de Mafra"), por exemplo – o cenário, quase trezentos anos depois de ter sido escrito, d’"As Viagens de Gulliver".

16/01/2020

O espanhol mal falado

Quando o Papa Francisco – o primeiro pontífice jesuíta e também o primeiro com origem no continente americano (Argentina) – se reuniu, em meados de Junho de 2013, com o português José Manuel Durão Barroso, então o presidente da Comissão Europeia, e lhe disse que o português era um "espanhol mal falado" é bem possível que se tenha lembrado do lema do seu pontificado: "Miserando atque eligendo" (ou, em português português bem falado, "Olhou-o com misericórdia e escolheu-o").

Mas o que poderia ainda não saber era que pouco menos de seis anos depois de proferir esse juízo linguístico iria também declarar publicamente que era "preciso ir limpando o Vaticano porque é um Estado que não está a salvo dos pecados e vergonhas de outras sociedades".

15/01/2020

Ribeiro Sanches e a Felicidade

Não foi para a cidade russa de Perm – cujo lema actual é "Счастье не за горами" ("A Felicidade está ao virar da esquina", em português) – mas para Moscovo que o médico e filósofo português (estudara em Coimbra e em Salamanca) António Nunes Ribeiro Sanches se dirigiu, em 1731, a convite da própria imperatriz Ana Ivanovna, sobrinha do também ele imperador russo Pedro, o Grande.

Convite que não foi ‘directo’: foi, de facto, o ‘grande’ professor e médico holandês Herman Boerhaave (na Universidade e na cidade de Leiden) quem indicou Sanches para desempenhar funções junto da soberana russa.

Ora, sendo filho de cristãos-novos (nascido em 1699 em Penamacor, Castelo Branco), fugiu à Inquisição em Portugal e, depois de percorrer alguns dos "centros de cultura" de então, pensou que seria na Rússia que encontraria, finalmente, a felicidade ao virar da esquina: foi, sucessivamente, médico-chefe, médico do exército imperial e médico da Corte.

Mas, perante um novo imperador (Ivan VI) e, principalmente, por ser vítima de intrigas, acabou por sair da Rússia em 1747 dirigindo-se a Paris onde acabaria por falecer mais de trinta anos depois.

Um verdadeiro Aasvero do seu tempo, portanto.

14/01/2020

A arte gótica


O lema da cidade de Paris – "Fluctuat nec mergitur" – (ou, em português, "Flutua mas não se afunda") – adapta-se perfeitamente, por exemplo, a algum do seu património material.

Como a catedral de Notre Dame.

Sacudida por um violento incêndio (já em 2019), a catedral de Notre Dame "flutuou" mas não se "afundou".

Na verdade, a catedral é um verdadeiro símbolo da capital parisiense: associar o nascimento e o desenvolvimento da Arquitectura ao nascimento e ao desenvolvimento da Cidade não é, para muitos, seguramente, estranho.

Terá, pois, sido aquele quem ‘motivou’ a substituição, por exemplo, do estilo românico pelo gótico a partir do século XII.

Ora, a arte gótica surgiu inicialmente nas cidades do Norte de França: a primeira grande obra gótica, por assim dizer, terá sido a catedral de Saint Denis (em Paris) que foi construída em 1141.

Já em Portugal, a "arquitectura gótica" surgiu tardiamente. Se é um facto que o Mosteiro de Alcobaça é uma excepção uma vez que a sua construção se iniciou em 1178, os monumentos ‘mais’ representativos do estilo gótico em Portugal datam do século XIV.

Por exemplo, o Mosteiro da Batalha – ou de Santa Maria da Vitória – começou a ser construído em 1386.

13/01/2020

"O Nosso Bahrain"

Não foi apenas no aspecto comercial que a chegada dos portugueses no início do século XVI ao golfo Pérsico alterou o "statu quo".


De facto, toda a que se pode actualmente designar como geopolítica de toda essa vasta região mudou: o Bahrain, por exemplo, perdeu, então, a sua soberania e o seu ‘brilho’ e só os veio a recuperar vários séculos mais tarde.


Na verdade, quem quer que tivesse lido o estudo "Expat Insider" que o sítio InterNations realizou em 2017 e no qual participaram 12.519 expatriados (emigrantes…) representando 166 nacionalidades e a viverem em 188 países ou territórios – em que foi pedido a cada um dos participantes a atribuição de pontos (de 1 a 7) para avaliar mais de 40 aspectos no que respeitava à vida no país em que residiam abrangendo cinco áreas temáticas ("Qualidade de Vida", "Acolhimento", "Trabalhar no Estrangeiro", "Vida Familiar" e "Finanças Pessoais"), terá facilmente constatado que Portugal se tinha classificado em 5.º lugar no "top 10" das localizações preferidas para expatriados/emigrantes em 2017 ("top 10 expatriate destinations for 2017").


Mas também que o Bahrain ‘obteve’ o primeiro lugar.


Ora, todos os que lhe deram essa vitória passaram a fazer parte do lema do país: "بحريننا" (ou, em português, "O Nosso Bahrain").

11/01/2020

Ingleses e Franceses

Quando a rainha Isabel II (na tradução em língua portuguesa) iniciou oficialmente o seu reinado no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte – em Junho de 1953 – já o lema da monarquia britânica havia sido escolhido séculos antes.

Na verdade, a expressão "Dieu et mon droit" ("Deus e o meu direito", em português) foi adoptada em pleno século XV por Henrique V – sobrinho da esposa do rei D. João I, D. Filipa de Lencastre – embora tivesse sido utilizada como “grito de guerra” pelo rei Ricardo I na sua contenda militar contra o rei francês Filipe II em 1198 (também cento e oitenta e oito anos antes da assinatura, entre Portugal e o reino de Sua Majestade, do Tratado de Windsor que selou a aliança diplomática entre os dois reinos).

Mas o facto da família real da pátria-mãe da língua inglesa (a própria Commonwealth, por exemplo, congrega mais de cinquenta e três países independentes em torno, também, de um idioma comum: o inglês) se ter apropriado de um lema francês, por assim dizer, tem, como não poderia deixar de ser, as suas ‘raízes’ na História: muitos dos primeiros monarcas do reino inglês eram franceses.