Segundo o sítio do Instituto Português do Mar e da Atmosfera: "De
acordo com Organização Meteorológica Mundial o ano de 2019
foi o segundo ano mais quente considerando os registos
históricos desde 1850, logo a seguir ao ano de 2016. A temperatura
do ar média global anual para 2019 foi 1.1 °C acima da média,
considerando o período 1850-1900, que representa as condições
pré-industriais".
25/01/2020
24/01/2020
Clenardo, a Flandres e Portugal
Nascido na Flandres em 1493, Nicolas Cleynaerts (ou Nicolau Clenardo, na sua versão latina) tornar-se-ia num humanista e num pedagogo.
Em
suma, um homem do Renascimento.
Ora,
foi precisamente nesta condição que foi escolhido para perceptor do
Cardeal D. Henrique (tio-avô do rei D. Sebastião).
Mas
foi também nesta condição que escreveu algumas missivas.
De
facto, uma delas foi a "Carta a Látomo".
"Em
Lisboa, a Rua Nova dos Mercadores constitui um quadro vivo da Lisboa
manuelina, com os comerciantes
de ouro de Sofala, (…) de sedas de Cochim, (…) do gengibre e da
pimenta de Malaca, da canela de Ceilão, do marfim da Guiné, (…)
das madeiras do Brasil (…).
Especulavam nela os oportunistas do negócio de Castela, os
mercadores genoveses, biscainhos, sevilhanos, ingleses, flamengos,
árabes, que inundavam de produtos europeus o mercado lisboeta e
procuravam nele
as especiarias raras para
derramar por esse mundo de Cristo. A Rua Nova dava a impressão não
só de Lisboa, mas da opulência do País inteiro. Não
há terra onde as coisas sejam tão caras.
Se algures a agricultura foi
tida em desprezo é em Portugal. Se há algum povo dado à preguiça
sem ser o português, então não sei onde ele exista. Se
uma grande quantidade de estrangeiros não exercessem cá as artes
mecânicas, creio bem que mal teríamos sapateiros ou barbeiros".
Embora
afastado da terra onde havia nascido, talvez Cleynaerts
nunca se tenha conseguido
também afastar das palavras (e do espírito) do lema que, anos
depois, seria assumido pela Flandres: "Wat
we zelf doen, doen we beter"
("Fazemos
melhor aquilo que nós próprios fazemos",
em português).
23/01/2020
A idosa China
2019 foi o ano em que a República Popular da China assinalou sete
décadas da sua existência política.
Mas
foi também o ano em que aí nasceram, segundo dados compilados pelo
gabinete de estatística do país, pouco mais de quatorze milhões e
meio de indivíduos – a taxa de nascimentos mais baixa desde a data
da sua fundação, 1949 (e se se exceptuar o ano 1961).
Pode,
pois, ser a ocasião perfeita para, desde logo, relembrar a espécie
de conclusão esboçada pelo artigo "The far-reaching consequences
of China’s greying population" (publicado em 2015 pela World
review): a de que a China poderia tornar-se "velha" antes
mesmo de se tornar "rica"...
22/01/2020
A ASEAN e o fim da terra
O lema da Associação de Países
do Sudeste Asiático (ASEAN) é "One Vision, One Identity, One
Community" (ou, em português, "Uma Visão, Uma Identidade, Uma
Comunidade").
Esta
associação conta actualmente com dez Estados-membros: Malásia,
Indonésia, Filipinas, Laos, Brunei Darussalam, Vietname, Tailândia,
Camboja, Singapura e Birmânia.
Ora,
a Coreia do Sul, embora não integre o contingente dos países
membros da ASEAN, é um importantíssimo parceiro desta associação,
quer no que respeita ao ‘volume’ das trocas comerciais, quer no
que se refere ao montante dos investimentos que tem vindo a realizar
no seu seio, até porque é a quarta maior economia asiática.
Terá
sido, efectivamente, um primeiro contacto caracterizado por "Uma
Visão, Uma Identidade, Uma Comunidade" o que definiu o encontro do
português João Mendes – o primeiro europeu a pisar solo coreano
–, em 15 de Junho de 1504.
E também terá ouvido a palavra "Tomal": significando fim da terra, assentava como uma luva à Coreia (e igualmente a Portugal, claro).
21/01/2020
A Grécia e a metrópole
O território de Atenas ocupou
toda a península da Ática.
Ou
seja, cerca de 2650 quilómetros quadrados.
Tal
dimensão tornou-a na maior das Cidades-Estados da Grécia.
Mas
a sua grandeza não foi apenas territorial.
De
facto, Atenas conseguiu tornar-se na mais importante das "pólis"
gregas porque a sua organização política – e social – foi
'seguida' por muitos outros Estados: muitos dos próprios Atenienses
teriam consciência da influência que a 'sua' Cidade exercia sobre
outras Cidades do 'mundo' grego: Péricles, um dos 'grandes'
políticos de Atenas, chegou a afirmar num dos seus discursos ser “a
nossa Cidade a escola da Grécia”.
A
Atenas dos séculos V e IV a.C. logrou também tornar-se no maior
centro de Cultura (na Europa, claro).
Não
terá sido, de resto, mera 'obra' do acaso que Keramikos, em Atenas
precisamente, tenha sido já considerada a mais extensa necrópole da
Antiguidade grega já que terá sido 'utilizada' entre 3000 anos a.C.
e o sexto século depois do (suposto) nascimento de Jesus Cristo.
Ora,
se é um facto que nunca a colonização grega chegou ao território
que hoje se designa Portugal,
o mesmo não se poderá dizer de algumas palavras.
Como
a palavra metrópole, por exemplo.
Sendo o lema que a Grécia viria a escolher muitos séculos depois do apogeu de Atenas "Ελευθερία ή θάνατος" ("Liberdade ou Morte", em português), foi com toda a liberdade que esta palavra – formada, por sua vez, pelas palavras mêter=mãe + pólis=cidade – acompanhou Portugal em grande parte da sua História.
20/01/2020
Eça de Queiróz, os portugueses e Portugal
Na missiva que escreveu, a partir de Inglaterra (de Bristol, mais
concretamente), a Fialho de Almeida em Agosto de 1888, observou José
Maria Eça de Queiróz o seguinte:
"Assim
diz V. que os meus personagens são copiados uns dos outros. Mas,
querido amigo, uma obra que pretende ser a reprodução duma
sociedade uniforme, nivelada, chata, sem relevo, e sem saliências
(como a nossa incontestavelmente é) – como queria V., a menos que
eu falseasse a pintura, que os meus tipos tivessem o destaque, a
dissemelhança, a forte e crespa individualidade, a possante e
destacante pessoalidade, que podem ter, e têm, os tipos duma
vigorosa civilização como a de Paris ou de Londres? V. distingue os
homens de Lisboa uns dos outros? V., nos rapazes do Chiado, acha
outras diferenças que não sejam o nome e o feitio do nariz? Em
Portugal há só um homem que é sempre o mesmo ou sob a forma
de dândi, ou de padre, ou de amanuense, ou de capitão: é um homem
indeciso, débil, sentimental, bondoso, palrador, deixa-te ir:
sem mola de carácter ou de inteligência, que resista contra as
circunstâncias. É o homem que eu pinto – sob os seus costumes
diversos, casaca ou batina. E é o português verdadeiro. É o
português que tem feito este Portugal que vemos".
18/01/2020
A Ordem da Jarreteira
A Ordem da Jarreteira (ou "The
Order of the Garter") é a mais ‘alta’ condecoração da
cavalaria do Reino Unido.
Fundada
pelo rei Eduardo III de Inglaterra em 1348, apenas a/o monarca do
país pôde (e pode) atribuir tal condecoração e somente a
personalidades que se tenham destacado pelos serviços prestados à
Coroa.
Embora
a Ordem da Jarreteira tenha como lema "Honi soit qui mal y pense" (ou, em português, "Envergonhe-se
quem vê nisto malícia"), não foi por vergonha, nem por maldade,
que o primeiro português a ser agraciado por tal condecoração
tenha sido D. João I (fruto do seu casamento com a inglesa Phillipa
of Lancaster – ou Filipa de Lencastre)
e que o último tenha sido o rei D. Manuel II (que acabou por se
exilar em Londres).
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