Assinalam-se
no dia de hoje 75 anos da libertação do campo de concentração e
extermínio de Auschwitz (o tal que tinha inscrita no portão de
acesso a ‘divisa’ cínica "Arbeit
Macht Frei" ["o trabalho
liberta"].
Optou-se,
por isso, há alguns anos, de o passar a recordar como o Dia
Internacional da Memória do Holocausto.
Recorde-se
que ao assassinato metódico de milhões de judeus (sobretudo judeus
mas não só) europeus pelos adeptos do nacional-socialismo alemão
optou por atribuir-se o nome de Holocausto – ou de Shoah.
De
facto, este mecanismo de extermínio ‘serviu-se’, em grande
medida, do caos provocado pela Segunda Guerra mundial o que, aliás,
provaria, mais tarde, que tudo foi executado com extremo pormenor e
calculismo: não foi, certamente, por acaso que o historiador
britânico Nicholas Stargardt disse já que "desde
1942 que a Shoah era conhecida dos Alemães".
Isto
é, da esmagadora maioria do povo germânico.
Efectivamente,
uma das coisas que sempre me impressionou nesta barbárie tem a ver
com a dicotomia executantes-executados: como é que pessoas que
participavam, activa ou passivamente, nessas atrocidades conseguiam,
depois, no seu íntimo, ir à igreja e dialogar com Deus, cuidar do
seu jardim ou tomar parte em actos familiares e sociais.
Outra
das coisas que me tem vindo a causar ‘impressão’ é a atitude de
alguns judeus para com os seus vizinhos árabes na Palestina: se
reconheço que o Holocausto foi sempre – e sempre será –
uma espécie de salvo-conduto para reivindicações internacionais
com repercussão interna, evidentemente – "Nós
somos os herdeiros dos Judeus que sofreram o Holocausto e, por isso,
temos todo o direito a ..." – também reconheço que nem
sempre (quase nunca?) a máxima "não
faças aos outros o mesmo que não gostarias que te fizessem"
tem sido adoptada.
Gostaria,
igualmente, de dedicar algumas linhas – poucas, infelizmente – a
Holodomor, o quase desconhecido holocausto dos ucranianos que teve
lugar há 88 anos.
Foi,
assim, em 1932.
A
Ucrânia integrava a União Soviética onde era Josef Stalin quem
mais ordenava.
Ora,
perante uma ordem de colectivização, muitos camponeses ucranianos
recusaram integrar as respectivas cooperativas agrícolas (os
chamados "kolkhozes") e
entregar as suas colheitas.
O
resultado?
O
confisco da produção de muitos agricultores e, logo, a fome e a
doença e milhões de mortos.
Nem
só os nazis foram carrascos, portanto.
Numa
época em que em muitos governos europeus pululam ideologias baseadas
no ódio, na intolerância e na xenofobia parece-me ser premente
não se esquecer isso.
![]() |
| "Holodomor", o holocausto dos ucranianos. |
