O lema do estado alemão da
Baviera antes do termo da I Guerra Mundial era "In Treue fest"
(ou, em português, "Firme na Lealdade").
Embora
não tenha a (absoluta) certeza se era este ou não o lema na Alemanha na "segunda metade" do século XVI, o livro que o historiador Joel
Harrington na Universidade de Vanderbilt (no estado norte-americano
Tennessee) publicou há cerca de seis anos sobre a vida de um
carrasco de profissão, Frantz Schmidt, oriundo desse estado
germânico, não hesitou em classificá-lo de fiel: "The
Faithful Executioner: Life and Death, Honor and Shame in the
Turbulent Sixteenth Century" (livro não traduzido em português).
Ora,
a exposição "Instrumentos Europeus de Tortura e Pena Capital –
Desde a Idade Média até ao Século XIX" que o Palácio das
Galveias, em Lisboa, acolheu no fim da década de 1990 permitiu aos
visitantes perceberem melhor uma dimensão dessa firmeza e dessa
lealdade e terá também permitido, sobretudo, colocarem uma só
questão a si próprios: como é que o espírito humano pode inventar
instrumentos para, fisicamente, torturar o Outro e,
espiritualmente, destrui-lo inteiramente?
De
facto, como escreveu o astrofísico canadiano Hubert Reeves no seu "Malicorne": "No
pequeno Homo Sapiens tudo é excessivo. Nele, intimamente misturados,
estão o sublime e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang
Amadeus Mozart e Adolf Hitler".