14/04/2020

Garcia de Orta

Perdoe-se-me que me detenha, ainda que muito sucintamente, na ortografia de um nome: Garcia de Orta.

Há muito tempo que tenho vindo a ler e a ouvir (abstenho-me de indicar fontes) uma deturpação que, em minha opinião, embora não parecendo ser grave, é.

Porque revela, desde logo, um desconhecimento do nome de alguém que foi importante na História de Portugal e, depois, uma falta de rigor (para não dizer respeito…) para com a sua memória.

Ora, o nome do médico português nascido no início do século XVI e que passou trinta anos da sua vida na Índia era Garcia de Orta e não Garcia da Orta.
 
 

 

13/04/2020

Espaço II

Se, há meses, aqui fiz referência ao facto de Valentina Tereshkova se ter tornado, em Junho de 1963, na primeira mulher a fazer a viagem para o Espaço (a bordo da nave espacial Vostok VI), "ao serviço" da então União Soviética, parece-me de elementar justiça que, também aqui, faça referência ao primeiro homem a realizar uma viagem espacial: Yuri Gagarin.

Foi exactamente há cinquenta e nove anos, algures no (vastíssimo...) território da União Soviética, que tal se verificou. 12 de Abril de 1961.

11/04/2020

A diplomacia

Quem, como eu, procura ‘acompanhar’ (lendo e ouvindo, sobretudo) a geopolítica do mundo, depara-se – muitas vezes, seguramente – com o conceito diplomacia. E mais: o quão esta é importante para, também, reduzir (ou impedir) o "Choque de Civilizações" proposto por Samuel Huntington.

Ora, creio que a definição de diplomacia subscrita pelo jornalista britânico David Frost (1939-2013) pode ajudar: "Diplomacia, substantivo. Arte de deixar alguém fazer o que tu queres".

09/04/2020

"La Lys" e a III Guerra Mundial

Passam hoje cento e dois anos de um dos mais tristes acontecimentos da existência do Exército português.

Aquele em que milhares de soldados lusos integrando as fileiras do Corpo Expedicionário Português perderam as suas vidas às mãos de uma ofensiva alemã no 'contexto' da I Guerra Mundial.

"Triste" por dois motivos.

O primeiro: a perda de vidas.

O segundo (que decorre do primeiro): a II Guerra Mundial veio demonstrar que nada se aprendeu após o sangue derramado (por parte dos soldados portugueses e de soldados de tantas nacionalidades) e, portanto, a sua vida foi perdida em vão.

E, aproveito, pergunto: estarei prestes a invocar um terceiro motivo, quase igual ao acabado de escrever?

É que os 'sinais', aparentemente diferentes, que deram origem à I e à II guerras mundiais parecem "estar todos cá"...


08/04/2020

Londres

Mantenho-me em terras de Sua Majestade.

Se, um dia, tivesse a oportunidade (e o privilégio) de poder visitar Londres, não quereria deixar de visitar dois ‘sítios’ (entre muitos outros, claro): um é o “Speaker’s Corner” (no “HidePark”) e o outro o museu de cera “Madame Tussaud”.

Assim, se no primeiro poderia ser um orador sem nutrir receio de poder ser perseguido por um qualquer delito de opinião, poderia, no museu, imaginar-me noutro tempo e noutro espaço*, por assim dizer.

Na verdade, a ‘fundadora’ do museu “Madame Tussaud” nasceu com o nome Marie Grosholtz e só o casamento lhe daria o apelido Tussaud.

Em 1761, em França.

Foi, no entanto, na Suíça, onde a mãe trabalhava em casa de um anatomista e modelador de cera, que desenvolveu a sua personalidade.

Ora, quando aquele decidiu estabelecer-se em Paris como “criador” de cera, Marie seguiu-o e às suas ‘pisadas’ artísticas.

Mas, apanhados na turbulência da Revolução Francesa, tiveram de limitar a imaginação da sua arte e fazer bustos de algumas das suas vítimas.

Já casada, conseguiu optar por um novo caminho: inicialmente sozinha e, depois, com a colaboração dos filhos, decidiu expor os seus trabalhos, de forma itinerante, em Inglaterra, sendo que apenas depois do estrondoso sucesso obtido se fixaram em Londres.

Apesar de ter falecido em Abril de 1850 – há exactamente cento e setenta anos –, o seu legado mantém-se.




* Aproveito para lembrar que existem, em todo o mundo, mais de vinte museus “Madame Tussaud”.

07/04/2020

O Dia Mundial da Saúde

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Saúde.




Ocasião perfeita para fazer duas citações:



"Muito antes destas descobertas científicas [feitas, sobretudo, a partir do século XVIII] pensava-se que as doenças eram causadas pelos deuses que as criavam para castigar os humanos quando estes se portavam mal!
Mais tarde, a mitologia greco-romana criou um deus dedicado à medicina e à cura para proteger os humanos".






Fonte: Museu da Saúde




***




Hipócrates (nascido no ano 460 antes do suposto nascimento de Jesus Cristo e falecido em 370 antes do mesmo) é hoje considerado o pai da medicina moderna.



Disse, entre muitas outras coisas, o seguinte: "Todas as doenças têm origem nas entranhas".



Estaria errado?

06/04/2020

Vítimas atómicas

Assinalaram-se ontem sessenta e nove anos da condenação judicial do casal norte-americano Julius e Ethel Rosenberg à morte por ter ‘passado’ à União Soviética informações secretas acerca da ‘máquina’ atómica dos Estados Unidos da América (EUA).

Foi, efectivamente, no dia 5 de Abril de 1951 que ambos foram sentenciados.

No entanto, só cerca de dois anos mais tarde – perante a recusa do presidente Dwight Eisenhower em assinar uma ordem de perdão: "Posso apenas dizer que em virtude de ter aumentado exponencialmente a hipótese da ocorrência de um conflito nuclear, o casal Rosenberg poderá ter sido o carrasco de milhões de inocentes em todo o mundo. Se, na verdade, é indesmentível a gravidade de se executarem dois seres humanos, mais grave ainda é o facto de milhões de pessoas poderem perder a vida em resultado do que estes dois espiões fizeram" – os Rosenberg foram executados tornando-se, desse modo, nos primeiros civis norte-americanos a serem, em "tempo de paz", mortos por tal crime.

Ora, lamento profundamente que o também presidente norte-americano Harry Truman não se tenha ele próprio ‘lembrado’ dos "milhões de inocentes em todo o mundo" que, em 1945, por exemplo, poderiam ser vítimas do ‘génio’ atómico dos EUA...