13/06/2020

Lisboa

Lisboa assinala hoje o seu dia.

E eu também o assinalo recorrendo a algumas citações.



"Em Lisboa a vida é lenta. Tem raras palpitações dum peito desmaiado". 




Eça de Queirós, Lisboa. In "Prosas bárbaras", 1867 






"Lisboa é perfeitamente uma terra phantastica. No globo terraqueo não ha nada que se pareça com ella. (…) Lisboa é um parenthesis na grande vida do universo. É uma cousa á parte, que nem no passado, nem no presente, e parece-me que nem no futuro terá rival". 




Gervásio Lobato, "A comédia de Lisboa", 1877 






"Para entendimento da minha descrição acrescentarei que Lisboa está encaixada entre colinas, por vezes bastante altas, por onde sobem casas brancas dos bairros de habitação mais elevados, à direita e à esquerda das ruas rectilíneas da cidade nova".




Thomas Mann, "As confissões de Félix Krull", 1895





"As cidades nascem e morrem todos os dias, transfiguram-se sem perder a essência. Porventura terá Lisboa mudado assim tanto que a não reconheçamos?".




José Rodrigues Miguéis, "Lisboa cidade triste e alegre", 1959 

12/06/2020

"El Jadida" e "Mumbai"

Não foi há muito tempo que liguei o aparelho a que chamamos televisão e me deparei com a notícia de que um grupo de indivíduos estrangeiros, servindo-se de um pequeno barco, havia tentado entrar em Portugal, por assim dizer.

Ora, disse-se então, que tais pessoas eram provenientes de uma tal "El Jadida", em Marrocos.

Tal como, de quando em vez, vejo, ouço e/ou leio sobre "Mumbai", na Índia.

Assim, num momento das nossas vidas em que tanto se fala de Cultura, creio que se faria um enorme favor à Cultura (na sua ‘dimensão’ histórica – História de Portugal) se se referissem, respectivamente, a "Mazagão" e a "Bombaim"...

09/06/2020

A Guerra Civil Americana acabou mesmo?

Não são precisas mais do que duas palavras (e tudo o que, ética, moral e ideologicamente, significam, claro) para enquadrar as manifestações que, por estes dias, se têm verificado nos Estados Unidos da América (EUA) e no mundo: racismo e escravatura.


Embora o racismo seja um fenómeno que é transversal a todos os seres humanos, a ‘dimensão’ que se tem pretendido acentuar ‘partindo’ dos EUA é o racismo do Branco em relação ao Preto.


Ora, subjacente a esta ‘dicotomia’ racista está um conflito bélico que, entre 1861 e 1865, custou a vida a milhares de pessoas nos EUA: a Guerra Civil Americana.


De facto, esse conflito entre os estados do Norte – que se ‘baseava’ num ‘painel’ social e económico industrializado e dinâmico – (a União) e os estados do Sul (onze: o Alabama, a Florida, a Georgia, a Louisiana, o Arkansas, o Mississippi, a Carolina do Sul, a Carolina do Norte, o Texas, a Virginia e o Tennessee) – social e economicamente ‘baseados’ na agricultura (plantações de algodão, por exemplo) e na escravatura – (a Confederação), iniciou-se quando estes últimos abandonaram a União (isto é, os EUA) – ou seja, uma secessão – cientes de que a eleição (em Novembro de 1860) de Abraham Lincoln como presidente do país poria termo ao seu modo de vida, por assim dizer, já que Lincoln era um acérrimo defensor da abolição da escravatura nos EUA.

08/06/2020

O Tratado de Tordesilhas

Foi assinado no dia 7 de Junho de 1494 entre Portugal e Espanha um acordo que mudaria o mundo.


Acordado – ou melhor, oficializado já que, como sempre nas Relações Internacionais e na Diplomacia, tinham-se já verificado várias ‘entrevistas’ – numa vila localizada não muito longe da cidade espanhola Valladolid, Tordesilhas.


Efectivamente, como, de resto, refere o portal Ensina da RTP, "A 7 de junho de 1494, as delegações de Portugal e Espanha reuniram-se em Tordesilhas, perto de Valladolid, e acordaram no estabelecimento de uma linha 370 léguas a oeste de Cabo Verde, de polo a polo, que dividia o Oceano Atlântico em duas metades: todas as terras, descobertas e por descobrir, a oeste dessa linha pertenceriam aos reis de Espanha, e todas a leste caberiam a Portugal".

06/06/2020

D. João III, D. José I e Thomas Mann

Foi exactamente no dia 6 de Junho do ano 1502 que nasceu aquele que viria a reinar em Portugal sob o "título" D. João III que, por exemplo, estabeleceu a Inquisição no país (em 1536).

***

E também foi no dia 6 de Junho mas de 1714 que nasceu um indivíduo do sexo masculino que se tornou no vigésimo quinto monarca de Portugal com o cognome “O Reformador”: D. José I.

Aproveito, assim para relembrar algo que eu já aqui escrevi: "Ora, o historiador e professor Charles Ralph Boxer, também no seu livro "O Império Marítimo Português 1415-1825" escreveu sobre a existência de "uma história muito conhecida segundo a qual D. José estava a considerar uma proposta da Inquisição no sentido de que todos os cristãos-novos [judeus convertidos ao cristianismo] do seu reino deveriam ser obrigados a usar chapéu branco como um sinal de que tinham sangue judeu. No dia seguinte, [o Marquês de] Pombal apareceu no gabinete real com três chapéus brancos, e explicou que tinha trazido um para o rei, outro para o inquisidor-mor e outro para si próprio".

O Marquês de Pombal – Sebastião José de Carvalho e Melo – foi o primeiro-ministro de D. José.

***


E, como "não há duas sem três": foi no dia 6 de Junho de 1875 que, na cidade alemã Lübeck, nasceu alguém que viria a ganhar o Prémio Nobel da Literatura (em 1929) e, assim, foi um dos ‘expoentes’ da chamada literatura mundial: Thomas Mann.

05/06/2020

Tunísia

A terra a que hoje se dá o nome Tunísia foi colonizada pelos Fenícios no século IX antes data habitualmente atribuída ao nascimento de Jesus Cristo.

Entrou, a partir desse momento, na posse de Romanos, de Vândalos, de Árabes, de Turcos, de Franceses e, já durante a II Guerra Mundial, de Alemães.

Mas tinha também já sido alvo da cobiça de Carlos V: o rei português D. João III mandou organizar uma expedição marítima a Tunes em 1535 com o objectivo de integrar a armada do imperador à antiga Cartago.

Ora, terá sido por tudo isto a razão por que só há alguns anos a Tunísia escolheu o seu lema – " الحرية والكرامة والعدالة والنظام" (ou em português, "liberdade, dignidade, justiça, ordem").

04/06/2020

Heydrich e a "Endlösung"

Morreu no dia 4 de Junho de 1942, em Praga (actualmente a capital da República Checa), na sequência de um atentado, Reinhard Heydrich.


Oficial do governo nacional-socialista da Alemanha de então, foi um dos principais organizadores da Conferência de Wannsee que teve lugar em Janeiro desse mesmo ano nos arredores da capital Berlim – em que foi definida e pormenorizada a "Solução Final" ("Endlösung").