Num tempo de globalização –
que já me parece ser um processo imparável mas que alguns insistem
em pretender pôr-lhe um travão… –, duas das palavras com que
mais vezes me tenho vindo a deparar são imigrante
e expatriado.
Ambas
significam, em teoria, que alguém está a viver e a trabalhar longe
do país onde nasceu.
Em
teoria porque descobri entretanto que, na prática, são palavras
utilizadas diferentemente: o texto "Why
are white people expats when the rest of us are immigrants?"
que o jornal britânico The Guardian publicou digitalmente em
Março de 2015 e que foi escrito por Mawuna Remarque Koutonin
explicou: "Não será considerada uma expatriada qualquer pessoa
que vá trabalhar para lá das fronteiras do ‘seu’ país? Não, a
palavra aplica-se exclusivamente a gente de cor branca".
E
continua: "os Africanos são imigrantes. Os Árabes são
imigrantes. Os Asiáticos são imigrantes. Já os Europeus são
expatriados porque não podem estar ao mesmo nível do que outros de
outras etnias. São superiores. "Imigrantes" é, assim, um termo
‘aplicado’ apenas às raças inferiores".
Admitindo,
evidentemente, que esta diferenciação se deve a uma concepção
mental e moral (superioridade e inferioridade) – errada, quanto a
mim –, não posso deixar de imputar a maior ‘quota’ na
responsabilidade pela perpetuação destas (e de outras…)
concepções e preconceitos morais e étnicos a muitos órgãos de
comunicação social (e, por extensão, a muitos profissionais do
jornalismo, claro) que trabalham as questões da imigração, da
emigração (e, enfim, das migrações humanas) bem como a muitos
profissionais responsáveis pela elaboração de conteúdos de muitos
manuais escolares.