13/04/2021

O "genocídio"

Ainda há dias aqui escrevi sobre genocídio. Mas o que significa, exactamente, esta palavra e, já agora, qual é a sua origem?


A palavra genocídio foi utilizada pela primeira vez pelo advogado polaco Raphäel Lemkin no livro "Axis Rule in Occupied Europe" (publicado em 1944). Formada a partir da junção do prefixo grego genos (que significava raça ou tribo) com o sufixo latino cida (que significava matança), Lemkin recorreu ao termo genocídio não apenas para caracterizar a atitude das autoridades nacionais-socialistas ("nazis") da Alemanha perante o povo judeu – o Holocausto – mas, também, para qualificar várias acções perpetradas em diversos momentos da história humana.


Lembro, apenas, que o "genocídio" foi reconhecido como crime pela lei internacional logo em 1946 através da assembleia-geral da Organização das Nações Unidas.

12/04/2021

Gagarin, Tereshkova e Eichmann

O cosmonauta russo Yury Gagarin foi o primeiro ser humano a ‘viajar’ para o espaço.


Fê-lo em 12 de Abril de 1961.


Por seu ‘lado’, a também cosmonauta natural da Rússia Valentina Tereshkova – como, de resto, já aqui o escrevi – tornou-se na primeira mulher a ‘viajar’ para além do planeta Terra.


No dia 16 de Junho de 1963.


***


11 de Abril de 1961.


Começou nesse dia, em Jerusalém, o julgamento de Adolf Eichmann. Um dos responsáveis pela implementação da Solução Final.


Raptado na Argentina (para onde fugira após ter escapado de um campo para prisioneiros de guerra) por agentes da Mossad, a "secreta" de Israel, o seu julgamento terminaria oito meses depois com a única condenação à morte alguma vez imposta por um tribunal do estado judaico.

10/04/2021

A ilusão e fantasia de Eça

O escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde disse um dia que a "ilusão é o primeiro de todos os prazeres".


Já o (‘grande’) escritor português Eça de Queiróz, contemporâneo daquele, escreveu o seguinte: "Sobre a nudez forte da Verdade o manto diaphano da phantasia" (palavras que, lembro, constituem a epígrafe do romance "A Relíquia" e ‘ilustram’ uma escultura da autoria de Teixeira Lopes localizada no Largo Barão de Quintela, em Lisboa).


Ora, talvez a literatura de ficção mais não seja do que isso mesmo: ilusão e fantasia...

09/04/2021

Tucídides e a armadilha

Foi através do livro "Destined for War" (publicado em 2017) escrito pelo cientista político e professor universitário Graham Allison que foi popularizada a expressão "armadilha de Tucídides".


Segundo a teoria subjacente a esta expressão, a guerra é inevitável quando uma potência emergente pretende destruir a ordem mundial (a que junto as ordens regional e local) – mantida pela potência hegemónica.


Mas quem foi Tucídides?


Foi um historiador grego que viveu há dois mil e quinhentos anos e que, por exemplo, escreveu a "História da Guerra do Peloponeso": a guerra entre as cidades-estado Atenas e Esparta havia sido inevitável devido ao medo desta última do ‘crescimento’ do poder ateniense, argumentou.

08/04/2021

Um libertador na avenida

É, também, em Lisboa (na "Avenida da Liberdade", por sinal) que podemos encontrar um busto daquele que, no século XIX, comandou as forças militares que conquistaram a independência do Chile à potência colonizadora do país – a Espanha: Bernardo O’Higgins.

 

 


 

07/04/2021

História e Saúde

Escreveram Carlos Costa, Sílvia Lopes e Rui Santana na "Introdução" de “Custos e Preços na Saúde: Passado, presente e futuro" – publicado em Junho de 2013 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos –, também, o seguinte:


"Um pouco por todo o mundo, os sistemas de saúde vivem actualmente um contexto de reformas permanentes como tentativa de resposta a uma pressão constante colocada pelos novos desafios emergentes, cada vez mais céleres, complexos e globais".


De facto, num momento da vida humana marcado por uma pandemia como, de resto, aconteceu tantas vezes num passado mais ou menos remoto – e em que as vozes que gritam mais alto (por assim dizer) são, nas palavras de uma professora que há dias ouvi, as dos "especialistas especialmente especializados", junto, uma vez mais, as palavras proferidas pelo escritor e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw (1856-1950), "se a história se repete e se o inesperado sempre acontece, que incapaz deve ser o Homem de aprender com a experiência"...

06/04/2021

Império Otomano e genocídio

Várias dezenas de senadores norte-americanos têm vindo a apelar ao presidente do país, Joe Biden, para que se torne no primeiro presidente dos Estados Unidos da América a reconhecer as atrocidades cometidas pelo Império Otomano contra muitos milhares de Arménios durante e após a I Guerra Mundial como "genocídio".


A verdade é que várias administrações norte-americanas chegaram a equacionar essa tomada de posição mas nunca ‘avançaram’ devido à hipotética reacção que a Turquia (membro da OTAN/"NATO" desde Fevereiro de 1952) pudesse vir a ter.


Recordo que as autoridades turcas continuam a rejeitar todas as acusações.