04/06/2021

Um 'banho de sangue' chinês (ou talvez não)

Antecipando em alguns meses o derrube do Muro de Berlim e a consequente “passagem” para a Democracia dos países do chamado Bloco de Leste, milhares de estudantes reuniram-se na praça Tiananmen (em Pequim, China) para expressarem, perante as autoridades políticas do país, a sua vontade por “reformas”.

Ora, tal manifestação terminou num ‘banho de sangue’: as ‘fontes’ oficiais contabilizaram, depois, cerca de trezentas vítimas mortais.

Outras ‘fontes’, porém, reportaram milhares.

Creio – como tantas vezes tem acontecido – que o número exacto nunca se saberá.

Mas, talvez, nesse momento, a cor vermelha da bandeira chinesa pudesse representar, a par da Revolução Comunista, o sangue vertido pelas vítimas desse e de outros acontecimentos.

 



 Fotografia: Jeff Widener


post scriptum: esta é a história oficial. Porém, um artigo publicado pela edição "online" do jornal inglês "Daily Telegraph" em 2011 da autoria do jornalista Malcolm Moore afirmou, peremptoriamente, citando informações confidenciais provenientes da embaixada dos Estados Unidos da América em Pequim, a capital chinesa, que tal massacre nunca ocorreu...


03/06/2021

As cáfilas de Portugal

"Cáfilas".

Não as cáfilas que se referem pejorativamente a um grupo de indivíduos.

Nem sequer as cáfilas de mercadores que cruzavam o continente africano, nem, ainda, as da antiga Rota da Seda.

Refiro-me, sim, às cáfilas enquanto caravanas marítimas – ou "comboios marítimos" –, geralmente escoltadas que, tendo um cariz mercantil, percorriam o oceano Índico aquando da existência de entrepostos aí controlados pelo Estado português no século XVI.

02/06/2021

O Conde de Cantanhede e o Marquês de Abrantes

A distância quilométrica entre Cantanhede (no distrito de Coimbra) e Abrantes (no distrito de Santarém) é menor do que a mesma distância entre Elvas (no distrito de Portalegre) e Lisboa.

Mas é precisamente na cidade alentejana que podemos encontrar a "Avenida Conde de Cantanhede" bem como a "Calçada Marquês de Abrantes" na capital Lisboa.

Ora, "Conde de Cantanhede" foi um título atribuído pelo rei D. Afonso V a D. Pedro de Meneses, em 1479.

Já o título "Marquês de Abrantes" foi concedido a D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses – desconheço se existiu entre este e o antecedente algum ‘grau’ de parentesco – pelo rei D. João V em 1718.

Recordo, de resto, que o "Marquês de Abrantes" teve como habitação permanente o Palácio de Santos, também em Lisboa (onde se encontra actualmente sediada a embaixada de França em Portugal), e, ainda, que mandou construir na "primeira metade" do século XVIII em Alcântara (ainda em Lisboa) uma espécie de "casa de férias"...

01/06/2021

Pessanha e Dostoyevsky

Faleceu há pouco mais de noventa e cinco anos o poeta português que ‘melhor’ terá representado o simbolismo: Camilo Pessanha.

Tendo vivido em Macau grande ‘parte’ dos seus cinquenta e oito anos de vida e lembrando eu um pequeníssimo excerto da "Clepsidra" – "Roteiro da vida" –, permito-me considerar que foi o isolamento que definiu o roteiro da sua vida.



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Assinalam-se também em 2021 os duzentos anos do nascimento daquele que alguns clamaram (e clamam) como "o maior escritor russo de sempre": Fyodor Dostoyevsky.

Ou, pelo menos, um dos ‘maiores’...

31/05/2021

Os "Monument Men"

O ‘fio condutor’ do livro "The Monument Men: Allied Heroes, Nazi Thieves and the Greatest Treasure Hunt in History" – da autoria de Robert M. Edsel e publicado em Setembro de 2010 (e, claro, do filme "The Monuments Men" que foi ‘lançado’ em 2014) foi a equipa de, por exemplo, directores de museus, curadores e historiadores de arte de nacionalidade britânica e norte-americana que, durante a II Guerra Mundial (atrás da chamada linha da frente) mas numa espécie de corrida contra o tempo para evitar que a barbárie imposta pelo Nacional Socialismo conseguisse destruir mais do que o que tinha já logrado alcançar, colocando em risco a sua própria existência física a percorrer a Europa, conseguiu pôr a salvo peças de arte que soldados e ‘aventureiros’ nazis haviam roubado para que Adolf Hitler conseguisse exibir no por si idealizado Museu das Artes – o "Führermuseum" – cuja construção (nunca concretizada) estava prevista para Linz, na Áustria, perto da vila onde ele próprio havia nascido: os "Monument Men".





Post scriptum: era também na Áustria que se localizava a mina de sal "Altausee" que era um dos locais onde os objectos pilhados eram armazenados...

29/05/2021

A plataforma continental de Portugal

Interessado que sou no planeta Terra e nos recursos à ‘disposição’ de Portugal, assisti, por mero acaso, a uma das sessões do "Estudo em Casa" que, há dias, foi emitida por uma estação de televisão.


Nela se abordou, por exemplo, a plataforma continental de Portugal sublinhando-se o seu carácter extensivo – no caso, pouco extenso (ver as fotografias abaixo).


Ora, eu não sou professor (nem jornalista) e muito menos especialista mas sei que Portugal tem uma das ‘maiores’ plataformas continentais no mundo.


Acho, por isso, grave que tal ‘imprecisão’ tenha sido veiculada por uma das profissões – professora – que representa uma das funções essenciais do chamado Estado de Direito: a Educação.

 

 



 

 

 

 

28/05/2021

A Austrália e o arrependimento

Assinalou-se anteontem - como, aliás, todos os anos -, na Austrália, o Dia Nacional do Arrependimento. 

Como reconhecimento de todos aqueles que, etnicamente oriundos dos povos nativos - os chamados aborígenes -, ao longo de sucessivas gerações, têm visto a sua dignidade ser preterida (ou sacrificada, se se preferir) em favor de outros valores.

Lembro aquilo que eu mesmo já aqui escrevi a propósito da atitude de uma companhia mineira face a um local considerado sagrado.

Mas foram, sem dúvida, excelentes as palavras da letra da canção "Beds Are Burning" que a banda australiana "Midnight Oil" 'lançou' no 'final' da década de 1980...