"A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza "
Erich Fromm , psicanalista e filósofo alemão, 1900-1980
"A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza "
Erich Fromm , psicanalista e filósofo alemão, 1900-1980
Primeiro, uma advertência: pouco percebo de futebol.
Do jogo em si, evidentemente, e também das competições, equipas e jogadores existentes no 'mundo' do futebol.
Ora, escrito 'isto', quero referir-me não exactamente à derrota da equipa italiana de futebol num jogo decisivo para competir no Campeonato do Mundo da modalidade a ter lugar no Qatar ainda em 2022.
Assim, a adversária da equipa de Itália foi a da Macedónia do Norte.
De facto, "Macedónia do Norte" foi a designação que as autoridades políticas da "Macedónia" escolheram há poucos anos - em 2019 - para parar um diferendo que as opunha às da Grécia já que uma região deste país se 'chamava', precisamente, "Macedónia".
Com efeito, o "Acordo de Prespa" veio resolver uma parte da 'herança' política (e territorial) que Alexandre, o Grande legou há mais de dois mil anos...
Já aqui escrevi sobre o compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart mas nunca sobre o seu "companheiro de ofício" o compositor alemão Ludwig van Beethoven.
Efectivamente, enquanto o austríaco conseguiu compor mais de uma vintena de óperas, o alemão apenas o fez por uma vez (com a ópera "Fidelio", precisamente).
Se a cidade de "Detroit" (nos Estados Unidos da América) foi fundada por um explorador francês cujo apelido era "Cadillac", também a extensa porção de terra a que actualmente corresponde o nome "Louisiana" foi descoberta por outro explorador francês e nomeada em homenagem ao então monarca do país europeu, Luis XIV.
Tendo-se ontem assinalado o "Dia Mundial da Poesia" e assinalando-se hoje o "Dia Mundial da Água", parece-me oportuno 'associar' aqui no blogue "poesia" e "água".
Assim, espero que seja também oportuno recordar um poema escrito por António Gedeão - o "poema da malta das naus"...
"Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo,
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias,
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me as gengivas,
apodreci de escorbuto.
Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vilas,
rompi as arcas e os odres.
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
Mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.".
Assinala-se hoje, 21 de Março de 2022, o "Dia Mundial da Poesia".
Ora, desde há muitos anos - mais do que aqueles que passaram já desde a proposta da UNESCO para a celebração neste dia (em 1999, por sinal) - que Portugal se autoproclama "país de poetas".
No entanto, segundo um estudo publicado há alguns dias pela Fundação Calouste Gulbenkian, a "percentagem de inquiridos portugueses [que, lembro, foram dois mil] que, no último ano, não leram qualquer livro impresso (61%) é francamente superior"...
Ora, as questões que, agora, penso ser oportuno 'colocar' são estas: é uma amostra de duas mil pessoas representativa da população portuguesa (que se não esqueça, porém, a população de origem não portuguesa) actual que 'conta' cerca de dez milhões de indivíduos? E, a ser, até que 'ponto' o facto de se ler poucos livros (que se não esqueça, também, a existência da rádio, da televisão, da "Internet" e de jornais, por exemplo) impede a existência do referido "país de poetas"?
"A fala foi dada ao Homem para que este pudesse esconder os seus pensamentos"
Charles Maurice De Talleyrand-Périgord, estadista e diplomata francês, 1754-1838