09/09/2022

"A rainha morreu. Viva o rei!"

Morreu ontem a monarca do Reino Unido. Rainha desde 1952: durante sete décadas, portanto. Ou seja, Isabel II reinou cerca de sete por cento do tempo total de vigência de um regime - o monárquico - com um milénio de existência. Sete décadas que correspondem, aliás, a um "jubileu". Festejado já em 2022. Foi também em 2022 que a banda musical britânica "Sex Pistols" assinalou já os quarenta e cinco anos do 'lançamento' do álbum "God save the Queen" reeditando-o. Apesar de o seu título corresponder ao do hino nacional do Reino Unido, o álbum foi - e é, pois - uma espécie de clamor antimonárquico. Para além de os seus intérpretes terem, entretanto, sublinhado o carácter não-humano de Isabel II. Ora, a sua morte veio provar que não… Post scriptum: é o seu filho Carlos - que reinará com o nome "Carlos III" - quem assegurará a continuidade temporal de um regime que, desde 1689 com a "Bill of Rights" (ou a "Declaração dos Direitos", se se preferir), é uma "monarquia parlamentar" (e "hereditária" também): é a/o monarca que reina mas é a/o primeira/o-ministra/o (indigitada/o pela/o rainha/rei tendo em consideração a maioria parlamentar) quem governa.

08/09/2022

"Zeitgeist 1" e o espírito crítico

Sempre se qualificou como "surpresa" o ataque levado a cabo por forças militares do Japão à frota norte-americana ‘estacionada’ em Pearl Harbor (no estado norte-americano Havai) em 7 de Dezembro de 1941. Ora, apesar do meu espírito não ser ‘adepto’ das chamadas "teorias da conspiração", penso que as informações contidas no documentário "Zeitgeist 1" – que até se encontra disponível na plataforma digital "YouTube" – são relevantes e pertinentes pois ajudam-nos a (tentar…) interpretar esse momento histórico de uma ‘forma’ que não é, pois, aquela que, oficialmente, desde há quase oitenta e um anos, nos tem sido transmitida. Ou "ajudar a fortalecer o espírito crítico", se se preferir. "Post scriptum": este auxílio ao fortalecimento do nosso "espírito crítico" que penso ser o contributo do documentário "Zeitgeist 1" não finda com esse ‘episódio’ referente ao ataque à base naval norte-americana pois ele ‘explora’ também, por exemplo, a participação dos Estados Unidos da América na Primeira Guerra Mundial e o chamado "11 de Setembro".

07/09/2022

Duzentos anos de liberdade

Assinalam-se hoje dois séculos da independência do Brasil face à potência colonizadora, Portugal. Ora, aproveito a ocasião para recordar uma frase que foi escrita pelo autor brasileiro José Lins do Rego (1901-1957): "Se chove, tenho saudades do sol; se faz calor, tenho saudades da chuva".

06/09/2022

Influências literárias

Dois dos livros já publicados pela escritora norte-americana Elif Batuman foram "The Idiot" e "Either/Or" (ou, em Língua Portuguesa, "O Idiota" e "Com/Ou", respectivamente). Ora, tais títulos são cópias exactas (adaptados, claro, dos títulos originais) dos títulos dos livros publicados pelo escritor russo Fyodor Dostoiévsky ("O Idiota" em 1869) e pelo filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard ("Com/Ou" em 1843). "Post scriptum": "Joseph Anton: A Memoir" (ou, na Língua Portuguesa, "Joseph Anton: Memórias") não foi apenas mais um título de um livro do escritor indo-britânico Salman Rushdie. Publicado em 2012 (há praticamente dez anos), tal livro deu conta das peripécias que o escritor viveu enquanto vítima de ameaças à sua integridade física. Vivendo sob a identidade de "Joseph Anton". Uma combinação de nomes dos seus autores favoritos: Joseph Conrad e Anton Tchékhov. Ameaças que, como se viu, não desapareceram...

05/09/2022

Os Estados Unidos da América e as guerras

Numa conferência que aconteceu há já algum tempo, Henry Kissinger – secretário de Estado dos Estados Unidos da América designado pelo presidente Richard Nixon (que ocupou o cargo entre 1969 e 1974) – declarou, por exemplo, o seguinte: "os Estados Unidos da América participaram, na primeira ‘metade’ do século XX, em duas guerras para impedirem o domínio do continente europeu por um potencial adversário […]. Já na segunda ‘metade’ do mesmo século XX (a partir, na verdade, de 1941), os Estados Unidos da América lutaram em três conflitos bélicos na Ásia na tentativa de aí impedir igualmente o domínio por outrem: contra o Japão e na Coreia e Vietname". "Post scriptum": durante a "Guerra do Vietname", precisamente, registou-se, lembro, o "massacre de My Lai" já que cerca de quinhentos habitantes da povoação "My Lai" foram, apesar de se encontrarem desarmados, mortos por soldados norte-americanos.

04/09/2022

Sou humano

Uma das frases que mais frequentemente me lembro de ir lendo (e ouvindo) desde há muitos anos é "quem sou eu?". Poderia, eventualmente, interrogar-me e dissertar sobre o facto de, sendo o pronome pessoal "eu" que designa a primeira pessoa da 'forma' singular do verbo "ser", porquê a menção "sou eu". Poderia, efectivamente, mas não o farei. Interessa-me, sim, invocar a dimensão filosófica de tal questão. Pensando, na verdade, no momento em que a Humanidade vive - um momento de (completa?) dependência da Tecnologia -, conjugo a frase "quem sou eu?" com outra com que me deparei há não muitos dias: "Confirme Humanidade: Antes de se inscrever você, precisamos confirmar que você é um ser humano". Eu sou (e serei sempre)...

03/09/2022

Uma pessoa, dois prémios Nobel

O físico norte-americano Linus Pauling foi, até ao momento, a única pessoa a ser galardoada com dois prémios Nobel – o da Química (em 1954) e o da Paz (em 1962) – a ‘título’ individual. Ou seja, foi apenas ele quem recebeu os ditos prémios naquelas ‘áreas’ nas datas referidas. Ao contrário de, por exemplo, Egas Moniz que, em 1949, foi distinguido com o Prémio Nobel da Medicina conjuntamente com o suíço Walter Hess.