02/03/2023

A capital do sofrimento

Ouvi há dias, numa estação de rádio que emite em Portugal, a entrevista feita ao filósofo francês Bernard-Henri Lévy antes da estreia, na capital ucraniana, de um documentário por si realizado. Ora, referiu, por exemplo, nessa entrevista que a "Ucrânia é hoje a capital do sofrimento, sem dúvida". Com efeito, também eu não tenho qualquer dúvida de que a Ucrânia actual é um espaço repleto de sofrimento. Mas não é, infelizmente, a "capital" do sofrimento. Muitos são os lugares da Terra que actualmente são afligidos pela guerra. E não só: pela pobreza ("extrema", por vezes), pelas chamadas "alterações climáticas", pela ausência da Lei, da Educação e da Saúde. Não tenho também assim qualquer dúvida em classificar como "eurocêntrico" o pensamento de que a Ucrânia é a "capital" do sofrimento humano. Já nem menciono o sofrimento que, mesmo na chamada "Europa civilizada", muitos 'devem' à ausência da Saúde Mental...

01/03/2023

Diocleciano e o palácio

O imperador romano Diocleciano governou o Império desde o ano 284 (da chamada "Era Cristã") até 305, em que abdicou. Nascido na província romana "Dalmácia" (na actual região dos Balcãs), acabou por aí mandar construir um palácio que ainda existe e que ocupa cerca de metade do núcleo mais antigo da cidade croata "Split".

28/02/2023

Nicolau de Langres e a decência

O prospecto alusivo à exposição - ou "mostra" - "Restauração e a fortificação moderna. Nicolau de Langres e as praças no Alentejo" que a Biblioteca Nacional de Portugal acolheu em 2022 fez, por exemplo, esta referência: "Mas a partir de 1661, Nicolau de Langres integrou-se no exército de D. João da Áustria [filho ilegítimo do rei de Portugal Filipe III e nomeado em 1661, precisamente, "Capitão Geral da Conquista do Reino de Portugal"] a quem pretendia oferecer este códice ["Desenhos e plantas de todas as praças do Reyno de Portugal", escrito pelo mesmo Nicolau de Langres], como se refere no prefácio: 《que pode servir e facilitar a conquista do reino de Portugal, e dar a conhecer todo o meu conhecimento no que diz respeito a esta matéria durante os dezassete anos que servi o dito reino.》".

27/02/2023

A primeira. Ou não?

Li, há dias, que com a "operação militar especial" - ou "guerra"... - actualmente em curso na Ucrânia "nasceu o início de uma guerra de alta intensidade, a primeira na Europa do pós-guerra". Ora, sendo o que li um pequeníssimo excerto de um texto de opinião, apenas posso concordar - ou não. Se esta é, efectivamente, a primeira guerra de alta intensidade a ter lugar no continente no pós-guerra. Assumindo que o referido "pós-guerra" signifique o período após o fim da Segunda Guerra Mundial. Não tendo eu, com efeito, formação militar, não se levará a mal que coloque as seguintes questões: o que é "alta intensidade" e será que a "Guerra da Bósnia" não foi de "alta intensidade"?

26/02/2023

Rabat, Marrocos

Escrevi aqui sobre Marrocos há alguns dias. Ou antes: sobre uma intervenção proveniente das suas autoridades políticas. Ora, a perspectiva que agora adopto é outra: "geográfica". Efectivamente, o território de Marrocos localiza-se no 'ponto' Noroeste do continente africano. Mas também a sua capital - "Rabat", cidade fundada no século XII - se localiza na 'zona' Noroeste do país

25/02/2023

O sanatório e a música

Data dos primeiros anos do século XX (entre 1901 e 1904) a construção do Hospital de Sant’Ana (na Parede, Cascais). Tendo a edificação do então "Sanatório de Sant’Ana" origem na vontade do casal Amélia Chamiço e Frederico Biester já que as irmãs de ambos haviam morrido vitimas de tuberculose, coube à tia de Amélia – D. Claudina Chamiço – presidir à cerimónia do início da construção da instalação médica (e, enfim, social…). E porquê a tia? Simplesmente porque a própria Amélia e o seu esposo haviam entretanto também sucumbido à "Peste Branca" e, na ausência de descendentes, D. Claudina Chamiço foi a única herdeira da fortuna possuída pela sua sobrinha. Ora, tendo D. Claudina nascido em 1821, admito que pudesse ela própria ser descendente da família do letrista romântico francês Adelbert von Chamisso (que viveu entre 1781 e 1838).

24/02/2023

A Política e a Cultura russa

Ainda há dias aqui me referi à espécie de invasão da Cultura pela Política no contexto da "operação militar especial" encetada pela Rússia na Ucrânia. Ora, em acções de pretensa solidariedade para com a Ucrânia devido a esta mesma "operação militar especial" (que, lembro, teve início no passado dia 24 de Fevereiro de 2022) têm vindo a ser tomadas decisões que considerei – e considero – muito pouco inteligentes. Recordo, apenas, algumas: a obra do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky (que nasceu em 1840 e faleceu em 1893) foi ‘posta de lado’ pela "Cardiff Philarmonic Orchestra" (a "Orquestra Filarmónica de Cardiff", em Gales, no Reino Unido) alguns dias depois do início do dito conflito; ainda em Março de 2022 foi a vez do "Amsterdam Hermitage Art Museum" (o "Museu Hermitage de Arte de Amesterdão", nos Países Baixos) retirar de exibição a exposição sobre arte "avant-garde" feita por artistas russos que incluiu, por exemplo, trabalhos de Kazimir Malevich (que nasceu em 1879 – na Ucrânia... – e faleceu em 1935) e de Wassily Kandinsky (que nasceu em 1866 e faleceu em 1944). Deplorável!