09/03/2023

Aristarco, Copérnico e o heliocentrismo

Apesar de ter abandonado a frequência do Ensino Secundário há já algumas décadas recordo-me ainda de, na disciplina de História no 8.° ano, me (e aos meus colegas, claro) ter sido feita referência ao matemático e astrónomo polaco "Nicolau Copérnico" (que viveu entre 1473 e 1543) e, evidentemente, à teoria que propôs para o 'funcionamento' do Universo: a "heliocêntrica". Ou também "o heliocentrismo". Ou seja, seria o Sol a orbitar ("girar") os planetas existentes - incluindo a Terra - e não aquele a andar à volta dos planetas - incluindo a Terra. Mas, a quem nunca foi feita sequer uma menção foi ao grego "Aristarco de Samos". Matemático e astrónomo como o polaco, Aristarco viveu e trabalhou cerca de três séculos antes da data atribuída ao nascimento de Jesus Cristo e foi o primeiro a ensaiar a "teoria heliocêntrica".

08/03/2023

Zero pela humilhação

Embora as actuais autoridades políticas japonesas e sul-coreanas tenham recentemente chegado a acordo relativamente à criação de um fundo destinado a atribuir indemnizações a sobreviventes da colonização pelo Japão da península coreana - que, lembro, ocorreu entre 1910 e 1945 -, nenhuma vítima sobrevivente dos então criados "campos de trabalhos forçados" irá aceitar qualquer montante.

07/03/2023

Os diários devolvidos de Darwin

Foi já em 2022 que à biblioteca da universidade de Cambridge, no Reino Unido, foram desenvolvidos dois diários que haviam sido escritos pelo naturalista inglês Charles Darwin (que viveu entre 1809 e 1882). Foram, com efeito, "devolvidos" pois tinham sido roubados - ou "furtados"... - há algumas décadas embora os funcionários da mesma tivessem pensado que os diários haviam sido consultados e posteriormente mal arrumados.

06/03/2023

Os sonetos e o casamento

Ainda ontem aqui abordei as "cartas portuguesas". Com efeito, quer tivessem sido escritas pela freira portuguesa Mariana Alcoforado, quer pelo escritor e diplomata francês Gabriel-Joseph de Lavergue, Visconde de Guilleragues, versavam a descrição de acções e sentimentos verificados em Portugal. Ao contrário, por exemplo, de "Sonetos dos Portugueses" que a poetisa inglesa Elizabeth Barnett Browning (que viveu entre 1806 e 1861) escreveu e que foi primeiramente publicado em 1850. Efectivamente, tal obra registou, 'apenas', a sua relutância face a contrair matrimónio...

05/03/2023

Cartas portuguesas ou francesas?

Embora não exista qualquer dúvida de que a obra "Novas cartas portuguesas" tenha sido escrita por Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta e originalmente publicada em 1972, a mesma conclusão não pode ser declarada em relação às primeiras "As cartas portuguesas" (por assim dizer): ainda que, por exemplo, a poetisa Ana Luísa Amaral tenha referido na "Breve Introdução" na edição de "Novas cartas portuguesas" que organizou que esta mesma obra reescrevia "pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa" [Mariana Alcoforado, que viveu entre 1640 e 1723], muitos acreditam, porém, que tenham sido escritas pelo escritor e diplomata francês Gabriel-Joseph de Lavergue, Visconde de Guilleragues (que viveu entre 1628 e 1685)...

04/03/2023

A história e "Bibius Caesar"

Deparo-me, por vezes - infelizmente - com a seguinte questão: "por quê estudar história?". Ora, referi, há pouco, "infelizmente" pois tenho já bastante dificuldade para compreender que, na "Era da Informação", continue a existir esta - e outras... - questão ("ões"). Assim, mais uma vez, cá vai uma hipótese de resposta: estudar história é essencial para que conheçamos o nosso passado (enquanto espécie humana) e possamos, assim, fazer escolhas conscientes e, talvez, sabedoras, para o nosso presente e futuro. Por exemplo, quem não estude história e tivesse visto um dos cartazes que foi empunhado numa manifestação que se realizou há algumas semanas em Israel a propósito de reformas no sistema judicial do país, não compreendeu nem a manipulação realizada ao rosto do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nem, claro, as palavras constantes nesse mesmo cartaz: "Bibius Caesar". Ora, "Bibi" é uma espécie de alcunha do referido primeiro-ministro e "Caesar" porque o que é actualmente o território de Israel foi uma província do Império Romano - a "Judeia" - que era chefiado por um imperador - "César" (ou, em latim, "Caesar") - e o seu verdadeiro nome culminava, geralmente, com as letras "us". Sendo o Império Romano considerado enquanto "opressor" (na "Judeia" e não só, claro), a referência "Bibius Caesar" queria transmitir a perspectiva de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - e as reformas empreendidas pelo executivo governativo por si chefiado na 'área' judicial (apenas?) - estavam a oprimir a sociedade israelita como outrora o haviam feito o imperador romano e seus emissários na "Judeia".

03/03/2023

Abdicar: um imperador e um papa

Ainda há dias aqui escrevi sobre um imperador romano. Diocleciano. Que abdicou do 'seu' cargo. Ora, por exemplo, também o papa Bento XVI se tornou, em 2013, no primeiro papa a resignar - ou "abdicar" - desde 1415 quando o seu antecessor Gregório XII tomou essa decisão.