27/04/2023

A guerra com paus e pedras

Talvez já aqui tenha invocado uma reflexão que foi afirmada pelo físico alemão Albert Einstein (que viveu entre 1879 e 1955) acerca das terceira e quarta guerras mundiais. Mas, dado ter escutado ontem um dirigente do grupo paramilitar russo "Wagner" considerando que a ocorrência da Terceira Guerra Mundial era já uma inevitabilidade, parece-me oportuno citar essa mesma reflexão novamente. Assim: "não sei que armas irão ser utilizadas na Terceira Guerra Mundial mas sei que na Quarta Guerra Mundial serão usados paus e pedras". Talvez. Mas apenas se a Terra ainda existir...

26/04/2023

A nau e a padroeira

A nau "Nossa Senhora da Luz" era uma das embarcações portuguesas que efectuava a "Carreira da Índia". Ou seja, o movimento comercial marítimo entre Portugal e o Oriente. Com efeito, foi precisamente numa dessas viagens – no regresso da Índia – que a nau "Nossa Senhora da Luz" se afundou: na enseada de Porto Pim, na ilha do arquipélago dos Açores "Faial". Em Novembro de 1615. Ora, "Nossa Senhora da Luz" é também o nome da padroeira da freguesia de A-dos-Cunhados (no concelho de Torres Vedras e distrito de Lisboa).

25/04/2023

Antes e depois de Abril

Porque passam hoje 49 anos do dia 25 de Abril de 1974, opto por recordar um texto que escrevi há exactamente cinco anos por esta mesma altura: "Assinalaram-se ontem 44 anos do golpe militar de 25 de Abril de 1974. Embora democrata e resolutamente antifascista, não consigo partilhar do ‘entusiasmo’ daqueles que chamam ao acontecimento "Revolução dos Cravos" pelo simples facto de acreditar que um movimento verdadeiramente revolucionário não pode ser feito com ‘flores’. Veja-se, por exemplo, o estado de coisas em que vive a Tunísia alguns anos após a "Revolução do Jasmim"… Cito, por isso, duas pessoas temporalmente separadas por mais de trinta anos: o grande músico/cantor e resistente José Afonso ("Zeca Afonso") e o fiscalista e sócio da "Espanha e Associados" João Espanha. "O 25 de Abril não foi feito para aquilo que estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril imaginaram uma sociedade muito diferente da actual que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se hoje com problemas tão graves – ou talvez mais graves que aqueles que nós tivemos que enfrentar – o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos. O sistema ultrapassa-os. O sistema oprime-os criando-lhes uma aparência de liberdade. Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos – nós, refiro-me à minha geração: de recusa frontal, de recusa inteligente (se possível até pela insubordinação; se possível até pela subversão) ao modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos direitos dos cidadãos. É, de facto, uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus banqueiro que é imposta aos jovens de hoje". "Zeca Afonso" em 1984, nas comemorações dos dez anos do "25 de Abril" "Só uma pequena minoria endinheirada pode recorrer a um advogado mesmo que seja vítima de injustiça [do Fisco]". João Espanha no "Jornal de Negócios" em 12 de Abril de 2018 Acrescento, todavia, uma frase escrita pelo filósofo italiano Nicolau Maquiavel que me parece exemplar para descrever o que, em minha opinião, se tem vindo a passar na História (de Portugal e não só): "Os povos que perdem a liberdade pela força, pela força haverão de reconquistá-la. Mas os que perdem a liberdade por descuido, estes demorarão muito a voltar a ser livres".

24/04/2023

O navio e a morte

Lembro-me de já aqui ter escrito sobre o navio "Lisboa Maru". Que era um navio com pavilhão (ou "bandeira") japonesa. Ora, escrevo novamente sobre um navio japonês com 'nome' de cidade: com efeito, foi, há dias, localizado no fundo do mar que banha o arquipélago filipino um navio japonês - o "Montevideu Maru" - que aí havia sido afundado na sequência de um ataque levado a cabo por um submarino norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial. Aproveito para acrescentar que tal naufrágio levou a morte a quase mil prisioneiros de guerra australianos.

23/04/2023

Os livros e a riqueza de Epicteto

Assinala-se hoje, 23 de Abril, o "Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor". Ora, perguntava-se há dias num jornal, o seguinte: "Na era da distracção permanente ainda conseguimos ler um livro?". Permita-se-me, pois, que responda: "eu sim". Mas permita-se-me também que cite o conselho de um filósofo: efectivamente, o filósofo é "Epicteto" - que nasceu no ano 55 da chamada Era Cristã e terá falecido em 135: "cuida para que os teus filhos sejam primeiramente bem instruídos em vez de ricos em posses pois o futuro dos instruídos poderá ser melhor do que a riqueza dos ignorantes".

22/04/2023

Outra vez Kaliningrado

"Kaliningrado". Já me deparei com este 'nome' imensas vezes: foi o local do nascimento de Immanuel Kant e Otto von Bismarck, por exemplo. O território que designa esteve, durante séculos, sob alçada das autoridades germânicas com o 'nome' "Königsberg" mas é hoje - e desde a "Conferência de Potsdam" que se realizou no fim da Segunda Guerra Mundial - enclave da Federação Russa.

21/04/2023

Cidades não capitais

Istambul (na Turquia), Rio de Janeiro (no Brasil), Lagos (na Nigéria) e Rangoon (na Birmânia). Nunca visitei qualquer destas cidades. Infelizmente. Ora, o facto de nunca lá ter ido é, seguramente, um 'ponto' que une todas estas metrópoles. Mas é claro que é um facto demasiadamente insignificante. No entanto, já não o é o facto de todas elas terem, claro que em momentos diferentes, perdido o seu estatuto de "capital". Em 1923, em 1960, em 1991 e em 2006, respectivamente.