24/04/2019

"O Estado sou eu"

O até há poucos meses embaixador francês nos Estados Unidos da América comparou a actual administração governativa daquele país da América do Norte à do rei Luís XIV, o Rei-Sol.


"Um velho rei, um pouco sonhador, imprevisível, mal informado, mas que quer ser o único a tomar as decisões", observou então.


Luís XIV – que terá afirmado ser ele o Estado (neste caso o francês) – tinha como lema "Nec Pluribus Impar" ("Não Desigual A Muitos Sóis", em português).


Ora, este lema era bem menos solidário e colectivo do que o lema dos "Três Mosqueteiros" (romance de Alexandre Dumas) – "Unus pro omnibus, omnes pro uno" ("Um por todos, todos por um", em português).


Já Isabel de Bragança, filha única do rei D. Pedro II de Portugal e de D. Maria Francisca de Sabóia, foi uma das pretendentes do filho do Rei-Sol, Luís, Grande Delfim de França.


Recorde-se que Luís XIV reinou durante 72 anos.

23/04/2019

O fim da O.T.A.N.?

Não é para mim segredo que as mais 'altas' instâncias políticas da França e da Alemanha  - para muitos, o "eixo" que verdadeiramente dirige o destino da União Europeia - estão a discutir a formação de um exército europeu com o objectivo de prescindir da, de facto, força militar de ocupação que é a Organização do Tratado do Atlântico Norte ( a OTAN ou, em língua inglesa, NATO).

Ora, a questão que, quanto a mim, deveria começar por merecer uma tentativa de resposta por quem analisa a actual realidade geopolítica do mundo é esta: irá o país que mais tem vindo a financiar os orçamentos da organização criada em 1949 para conter a União Soviética (e o ideário comunista, pois) - os Estados Unidos da América - permitir que a Europa tenha o seu próprio Exército?

22/04/2019

A beleza desaparecida

O arquitecto italiano Leon Battista Alberti explicou no livro "Da Re Aedificatoria" (no século XV) a sua própria definição de Belo: "Todo e qualquer objecto ao qual nada possa ser acrescentado ou subtraído sem que a harmonia do todo se altere.".

Ora, de acordo com esta definição, alguns dos elementos arquitectónicos que existem (ou que desapareceram já...) no mundo elencados pela UNESCO perderam necessariamente a sua beleza.

Lembro, assim, alguns deles, o número de anos em que foram belos e as "causas directas" da sua destruição (parcial ou total):

a) o Museu Nacional do Brasil (na cidade do Rio de Janeiro), de 1817 até (Setembro) de 2018 (201 anos), incêndio;

b) a "Ponte Velha" - Stari Most - (na Bósnia-Herzegovina), de 1567 até 1993 (426 anos), conflito armado ('guerra');

c) os Mausoléus de Tombuctu (ou Timbuktu, no Mali) de 'algures' no século XIV até 2012 (cerca de sete séculos), conflito armado ('terrorismo');

d) a Mesquita de Al-Nuri (em Mossul, no Iraque), de 1172 até 2017 (845 anos), conflito armado ('terrorismo');

e) a Catedral de Notre-Dame (na cidade de Paris, em França), construída em 1163 até (Abril de) 2019 (856 anos), incêndio;

f) as Estátuas de Bamiyan (no Afeganistão), de (cerca de) 500 anos após a convencionada data do nascimento de Jesus Cristo até 2001 (cerca de 1500 anos), conflito armado ('terrorismo');

e

g) a cidade de Palmira (na Síria), de (cerca de) 200 da chamada era cristã até 2016 (cerca de 1800 anos), conflito armado ('terrorismo').


20/04/2019

O elemento Rádio

Pierre e Marie Curie - a única pessoa a ser galardoada com dois Prémios Nobel (Química e Física) - 'isolaram' o elemento Rádio em 20 de Abril de 1902.
Ora, num momento em que se celebram os cento e cinquenta anos da tabela periódica, parece-me ser perfeitamente justo assinalar um facto acerca de um elemento fundamental na luta contra o cancro.




A tabela periódica (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tabela_peri%C3%B3dica#/media/File:Periodic_table_pt.svg. Ao rádio foi atribuído o número atómico 88).



18/04/2019

Portugal de outrora. E de agora também?

"Em qualquer aldeiazinha

achareis tal corrupção

qu'a mulher do escrivão

cuida que é uma rainha.

E também os lavradores

com suas más novidades

querem ter as vaidades

dos senhores.".




Fonte: Duarte da Gama no "Cancioneiro" de Garcia de Resende.

17/04/2019

O "crescimento civilizacional" e a poluição

Segundo várias análises (algumas 'oriundas' da Academia), há já alguns anos que o dinamismo do crescimento económico e populacional do mundo deixou, após vários séculos, de estar centrado no Hemisfério Norte (na Europa e na América do Norte, bem entendido) tendo passado, por sua vez, a concentrar-se no Hemisfério Sul (na América, na Ásia e em África).

Mas a 'amplitude' desta mudança não se pode 'medir' apenas em tempo: pode - e deve - ser perspectivada à luz de várias dimensões sendo uma delas a da qualidade do meio ambiente disponibilizado às 'suas' populações.

Nessa qualidade - ou não, claro - 'incluo' a poluição.

Se, de facto, a poluição 'acompanhou' o "crescimento civilizacional" da Europa e da América do Norte, ela não pôde também deixar de 'acompanhar' o "crescimento civilizacional" do restante mundo, por assim dizer.

Aqui lembro, pois, as cidades do mundo que, em 2018, e tendo em consideração os níveis das mais pequenas partículas (e, por isso mesmo, mais perigosas para a saúde humana) que se misturam com o oxigénio que todos respiramos - conhecidas por PM-2.5 -, foram consideradas as mais poluídas:

1 - Nova Deli, na Índia;

2 - Daca, no Bangladesh;

3 - Cabul, no Afeganistão;

4 - Manama, no Bahrein;

5 - Ulaanbaatar, na Mongólia;

6 - Cidade do Kuwait, no Kuwait;

7 - Katmandu, no Nepal;

8 - Pequim, na China;

9 - Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos;

e

10 - Jacarta, na Indonésia.

16/04/2019

A identidade étnica

O filósofo norte-americano William James afirmou, há muitos anos, que "quando duas pessoas se encontram há, na verdade, seis pessoas presentes: cada pessoa como se vê a si mesma, cada pessoa como a outra a vê e cada pessoa como realmente é".


Ora, creio que estando ainda em fase de ponderação pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a inclusão, no próximo recenseamento populacional, de uma questão sobre a pertença étnica dos respondentes, penso que também a 'validade' científica das respostas obtidas deveria ser bastante ponderada e, enfim, relativizada, em virtude do facto de que elas dependerão sempre das características sociais, económicas e, sobretudo, psicológicas e culturais de quem as der.


Ou seja, de um ser humano. 


Não sendo eu um especialista, resta-me colocar questões: se eu,  português autóctone, me 'classificar' como branco - comparando-me com alguém com um fenótipo (a cor da pele) mais escuro do que o meu, por assim dizer -, continuará esta auto-classificação a ser cientificamente rigorosa se me comparar com alguém cujo 'tom' de pele é mais 'claro' do que o meu?


Ou existirão hipóteses de respostas do tipo "cor branca, grau 1", "cor branca, grau 2" ou "cor branca, grau 3", por exemplo? 


E "cor negra, grau 1", "cor negra, grau 2" ou "cor negra, grau 3", também por exemplo? 


E como responderia também alguém nascido na Ásia: "cor amarela, grau 1", "cor amarela, grau 2" ou "cor amarela, grau 3", ainda como exemplo?


Ou seja, não me parece que as limitações científicas fossem poucas...