Assinalou-se ontem mais um aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.
Na Europa, bem entendido, já que no Oriente ela apenas terminaria alguns meses depois (após as explosões nucleares espoletadas por aviões militares norte-americanos sobre a população civil de duas cidades nipónicas, Hiroxima e Nagasaki).
E assinala-se hoje, precisamente, o Dia da Europa.
Ora, numa altura em que o populismo e o nacionalismo estão a avançar na Europa política e social - e que se irão repercutir, ao que tudo indica, na composição do Parlamento Europeu depois das eleições das próximas semanas -, penso ser chegado o "momento da verdade": o momento de os líderes políticos da Europa reflectirem profunda e seriamente nas 'sombras' do passado que continuam a pairar no presente. Se, pelo contrário, pouco (ou nada) continuarem a fazer para contrariar essa presença (e o seu 'crescimento' orgânico), penso ser completamente legítimo questionar o actual lema da União Europeia - "Unida na Diversidade" - e, enfim, a própria existência de tal instituição.
09/05/2019
Mas qual união? E que diversidade?
08/05/2019
Qual é o nosso?
Nasceu
há pouco mais de quinhentos e cinquenta anos (em 3 de Maio de 1469) em Florença
(hoje ‘parte’ da Itália) aquele que viria a tornar-se num dos ‘maiores’ (senão
o ‘maior’…) filósofos políticos que o mundo conhecera até então e que
influenciaria com os seus escritos – "Il Principe" (ou, na tradução em língua
portuguesa, "O Príncipe"), por exemplo – a política – e o ‘modo’ de a fazer:
Niccolò Machiavelli.
Escreveu, efectivamente, e por
exemplo, o seguinte:
"Existem, entre os humanos,
três tipos de personalidades: aquela que é capaz de pensar por si própria;
Aquela que é capaz de perceber o pensamento de outros; e, por último, aquela
que nem é capaz ďe pensar por si própria, nem capaz de perceber o pensamento de
outros. O primeiro tipo é excelente, o segundo é bom e o terceiro é
inútil".
07/05/2019
O fim do nazismo
O general alemão Wilhelm Keitel assinou no dia 7 de Maio de 1945 a rendição incondicional da Alemanha nacional-socialista no quartel-general do norte-americano também general Dwight Eisenhower, em Reims (na França).
***
A Alemanha teve de render-se duas vezes: a primeira perante os Aliados em Reims, precisamente e a segunda perante a União Soviética que exigiu a consagração da sua própria vitória contra o nazismo no dia 9 de Maio, em Berlim (capital alemã).
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A Alemanha teve de render-se duas vezes: a primeira perante os Aliados em Reims, precisamente e a segunda perante a União Soviética que exigiu a consagração da sua própria vitória contra o nazismo no dia 9 de Maio, em Berlim (capital alemã).
06/05/2019
Contributos para uma história da espionagem
Costuma dizer-se que algumas actividades são tão antigas quanto o Homem.
Ora, a espionagem é uma delas.
É claro que também ela tem, como o Homem, vindo a tornar-se mais complexa nas suas características exteriores embora o 'intuito' tenha sido sempre o mesmo: obter informações de forma mais ou menos legal.
Se, durante muito tempo, foi essencial recorrer-se a pessoas para espiar outras pessoas e organizações, uma das 'tendências ' que se tem vindo a verificar é uma "tecnologificação" da espionagem acompanhando, naturalmente, a dependência, crescente, da Electrónica nas várias dimensões da existência humana (na Comunicação, por exemplo).
Recordo, de facto, o sistema "ECHELON".
Implementado pelos governos dos Estados Unidos da América, do Canadá, do Reino Unido, da Austrália e da Nova Zelândia no início da década de 1970 para monitorizar as manobras militares e os contactos diplomáticos da então União Soviética (e seus aliados), o sistema ECHELON foi-se tornando, sobretudo depois do fim desta, num meio para alcançar o controlo massivo das comunicações desde logo privadas registadas em todo o mundo.
Post scriptum: foi revelado há não muitos anos que as GAFA - as letras iniciais das empresas Google (a mesma que 'acolhe' o domínio blogspot...), Apple, Facebook e Amazon - estavam ao serviço do governo norte-americano no sentido de espiar todas as comunicações electrónicas feitas no planeta. Pergunto, de resto, o seguinte: se se tomar tudo isto em consideração não se poderão qualificar como hipócritas as acusações de que a empresa chinesa de telecomunicações Huawei pretende instalar uma espécie de rede de espionagem electrónica?
Ora, a espionagem é uma delas.
É claro que também ela tem, como o Homem, vindo a tornar-se mais complexa nas suas características exteriores embora o 'intuito' tenha sido sempre o mesmo: obter informações de forma mais ou menos legal.
Se, durante muito tempo, foi essencial recorrer-se a pessoas para espiar outras pessoas e organizações, uma das 'tendências ' que se tem vindo a verificar é uma "tecnologificação" da espionagem acompanhando, naturalmente, a dependência, crescente, da Electrónica nas várias dimensões da existência humana (na Comunicação, por exemplo).
Recordo, de facto, o sistema "ECHELON".
Implementado pelos governos dos Estados Unidos da América, do Canadá, do Reino Unido, da Austrália e da Nova Zelândia no início da década de 1970 para monitorizar as manobras militares e os contactos diplomáticos da então União Soviética (e seus aliados), o sistema ECHELON foi-se tornando, sobretudo depois do fim desta, num meio para alcançar o controlo massivo das comunicações desde logo privadas registadas em todo o mundo.
Post scriptum: foi revelado há não muitos anos que as GAFA - as letras iniciais das empresas Google (a mesma que 'acolhe' o domínio blogspot...), Apple, Facebook e Amazon - estavam ao serviço do governo norte-americano no sentido de espiar todas as comunicações electrónicas feitas no planeta. Pergunto, de resto, o seguinte: se se tomar tudo isto em consideração não se poderão qualificar como hipócritas as acusações de que a empresa chinesa de telecomunicações Huawei pretende instalar uma espécie de rede de espionagem electrónica?
04/05/2019
Shakespeare e Saramago
O pai daquele que viria a
tornar-se num dos mais populares poetas ingleses – William
Shakespeare – obteve, no final do século XVI, autorização para
usar um brasão.
Tal
significava, desde logo, uma ascensão social: passava-se a ser uma
família nobre.
Assim,
era-se autorizado a exibir o brasão à entrada da casa onde se vivia
e a gravá-lo na respectiva mobília.
Ora,
o lema da família Shakespeare foi "Non Sans Droit" ("Não Sem
Direito", em português).
William
Shakespeare nasceu em Abril de 1564 e faleceu em Abril de 1616 e
todos os anos a pequena cidade britânica de Stratford-upon-Avon
recebe não apenas o Festival Literário mas também milhões de
turistas que querem calcorrear as ruas e os locais que um dos mais
famosos (se não mesmo o mais famoso...) escritores de língua
inglesa terá percorrido.
Já
em Portugal, por exemplo, concluiu-se já que "Mafra continua sem
atrair turismo literário por manter fora da visita ao palácio e à
vila a abordagem a José Saramago e à sua obra, 20 anos depois da
atribuição do Nobel da Literatura".
03/05/2019
"Os portugueses vistos..."
Ainda
ontem aqui citei duas personalidades que, por razões certamente
diferentes e separadas por alguns anos de distância, confluíram no
‘diagnóstico’: a ‘imagem’ de Portugal era, então, muito
‘pobre’ e difusa na Ásia.
Mas
seria muitíssimo interessante para mim perceber, hoje, em 2019, que
estereótipos e generalizações existem
sobre os portugueses por esse mundo fora.
Lembro,
de qualquer modo – e apesar de ser evidente que
as ‘visões’ a seguir
transcritas estavam, como não poderia, talvez, deixar de ser , imbuídas de um conjunto de estereótipos e generalizações criados
e ampliados pelo facto de aqueles portugueses serem dominadores e
conquistadores – um
excerto de um compêndio
escolar de História que
utilizei quando era estudante do ensino secundário:
“Os
Portugueses vistos…
...pelos
Africanos
Um
dia sobre o mar surgiu um grande barco. Tinha asas brancas e
brilhantes como facas ao sol. Homens brancos saíram da água dizendo
palavras que ninguém compreendia. Os nossos antepassados tomaram
medo e pensaram que eram «vumbi», almas do outro mundo. Conseguiram
fazê-los regressar ao mar disparando nuvens de flechas. Mas os
«vumbi» começaram a cuspir fogo com um barulho de trovão…
Tradução
oral africana, in F. Braudel, Civilização Material…, III.
...pelos
Chineses
Pode
dizer-se que o objectivo primeiro da vinda dos Fu-lang-chi [os
Portugueses] para a China foi o comércio (…).
As
gentes Fu-lang-chi são altas e têm grandes narizes. Os olhos são
como os do gato e a forma da boca como a da águia. O pêlo
cresce-lhes até nas costas das mãos e as suas barbas são
vermelhas. Amam o comércio e, apoiados no seu poder militar, têm o
hábito de invadir e oprimir os países mais pequenos. Vão a
qualquer sítio onde haja lucro (…) Usam roupas limpas e
bonitas...Sempre que surge uma disputa, apontam para o céu e juram
dizer a verdade.
História
dos Ming (adaptado).
...e
pelos Japoneses
Estes
homens [os Portugueses] são comerciantes (…). Bebem em copo sem o
oferecerem aos outros. Comem com os dedos (1) e não com pauzinhos
como nós (…). São gente que passa a vida viajando de aqui para
além, sem morada certa, e trocam os produtos que possuem pelos que
não têm, mas no fundo não são má gente.
Crónica
Teppo-Ki (adaptado).
(1)
No século XVI, os Europeus ainda só raramente usavam o garfo.”.
02/05/2019
Uma nova era
O
Japão iniciou ontem uma nova 'etapa' da sua história com a era
Reiwa do centésimo vigésimo
sexto (126) imperador do país, Naruhito.
Espero,
sinceramente, que esta nova era no País do Sol Nascente traga
também, no que a Portugal diz respeito, um novo impulso às relações
culturais até pelo facto do próprio Naruhito ser historiador .
Lembro,
de facto, algumas linhas que o escritor e investigador Joaquim
Magalhães de Castro - creio que 'baseado', precisamente, no Oriente - escreveu no livro "Oriente Distante" (publicado em 2012):
"Quatrocentos e cinquenta anos após a chegada ao Japão da
nossa Nau do Trato, o karafune (barco negro), o que é que se
sabia dos usos e costumes desse povo à beira-mar esquecido que, um
dia, lhes trouxe o teppu, vulgo, espingarda, que, segundo
alguns historiadores, teria contribuído decisivamente para o
estabelecimento do Japão como estado moderno? Nada. Ou quase nada.
Se fizéssemos a pergunta a um japonês comum, a resposta era um
inevitável castera. Ou seja, castela, o abastardamento
do pão-de-ló aqui introduzido pelos marinheiros quinhentistas, e
que depressa se transformaria no doce favorito dos japoneses. Para
além disso, talvez os nomes Rosa Mota, Amália Rodrigues ou de
qualquer ocasional jogador de futebol acendessem uma luzinha na mente
dos cidadãos mais inclinados para o que chegava de fora desse país
asiático, que, embora se fartasse de construir pontes de cultura com
o resto do mundo, permanecia teimosamente uma ilha, acima de tudo. E
pronto. Arquivados ficariam no esquecimento séculos de contactos
entre os namban jin e os autóctones das ilhas do Sol
Nascente.".
Post
scriptum: D. Duarte Pio, pretendente ao trono português – citado
pelo jornal Diário de Notícias
no segundo dia de Dezembro de 1986 –, revelou, na cerimónia
comemorativa do Dia da Restauração da Independência que havia tido
lugar no dia anterior numa das salas do lisboeta Castelo de São
Jorge que, no decurso da sua recente visita ao Extremo Oriente,
havia sentido existirem ainda, para com Portugal, sentimentos de
prestígio e reconhecimento na região apesar da "actual
quase ausência de expressão cultural e económica portuguesa nessas
paragens".
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