O
Japão iniciou ontem uma nova 'etapa' da sua história com a era
Reiwa do centésimo vigésimo
sexto (126) imperador do país, Naruhito.
Espero,
sinceramente, que esta nova era no País do Sol Nascente traga
também, no que a Portugal diz respeito, um novo impulso às relações
culturais até pelo facto do próprio Naruhito ser historiador .
Lembro,
de facto, algumas linhas que o escritor e investigador Joaquim
Magalhães de Castro - creio que 'baseado', precisamente, no Oriente - escreveu no livro "Oriente Distante" (publicado em 2012):
"Quatrocentos e cinquenta anos após a chegada ao Japão da
nossa Nau do Trato, o karafune (barco negro), o que é que se
sabia dos usos e costumes desse povo à beira-mar esquecido que, um
dia, lhes trouxe o teppu, vulgo, espingarda, que, segundo
alguns historiadores, teria contribuído decisivamente para o
estabelecimento do Japão como estado moderno? Nada. Ou quase nada.
Se fizéssemos a pergunta a um japonês comum, a resposta era um
inevitável castera. Ou seja, castela, o abastardamento
do pão-de-ló aqui introduzido pelos marinheiros quinhentistas, e
que depressa se transformaria no doce favorito dos japoneses. Para
além disso, talvez os nomes Rosa Mota, Amália Rodrigues ou de
qualquer ocasional jogador de futebol acendessem uma luzinha na mente
dos cidadãos mais inclinados para o que chegava de fora desse país
asiático, que, embora se fartasse de construir pontes de cultura com
o resto do mundo, permanecia teimosamente uma ilha, acima de tudo. E
pronto. Arquivados ficariam no esquecimento séculos de contactos
entre os namban jin e os autóctones das ilhas do Sol
Nascente.".
Post
scriptum: D. Duarte Pio, pretendente ao trono português – citado
pelo jornal Diário de Notícias
no segundo dia de Dezembro de 1986 –, revelou, na cerimónia
comemorativa do Dia da Restauração da Independência que havia tido
lugar no dia anterior numa das salas do lisboeta Castelo de São
Jorge que, no decurso da sua recente visita ao Extremo Oriente,
havia sentido existirem ainda, para com Portugal, sentimentos de
prestígio e reconhecimento na região apesar da "actual
quase ausência de expressão cultural e económica portuguesa nessas
paragens".
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