O
Cineteatro Mouzinho da Silveira – localizado em Castelo de Vide, no
distrito de Portalegre – acolheu nos dias 17, 18 e 19 do corrente
mês uma conferência internacional subordinada ao tema, por assim
dizer, “Valorizar e Recuperar a Herança Perdida”.
Ora,
admito que cheguei mesmo a pensar que só muito dificilmente uma
conferência sobre a identidade judaica de (e em…) Portugal poderia
realizar-se noutro local que não naquela região do país.
Pensei
mal, evidentemente.
Porque,
efectivamente, decorre hoje e amanhã na Universidade de Évora uma "evocação dos 450 anos da morte de Garcia de Orta (1568-2018)".
Recordo
que Garcia de Orta nasceu precisamente em Castelo de Vide. Judeu,
tornar-se-ia médico e botânico tendo morrido na Índia (em Goa).
Ora,
numa altura em que em muitas zonas do continente europeu (e também
em Portugal) se discute com base em notícias falsas e de forma "populista" a identidade, julgo não ser tarde para,
pouquíssimos dias depois do Dia da Diversidade Cultural para o
Diálogo e o Desenvolvimento, e recordando uma frase proferida por
Garcia de Orta – "A verdade tem pés, e anda e nunca morre" –,
se recuperar a memória já que esta, como 'representante' única do passado, 'representa' igualmente a única verdade.
Uma
memória ‘composta’, também, de intolerância, de ódio e de
barbárie. Social, económica, étnica e religiosa.
E
perguntar: é esse o ‘caminho’ que queremos trilhar novamente?
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