23/05/2019

Alemanha, Namíbia e Portugal

Ter lido que as autoridades alemãs iriam devolver às da Namíbia o padrão aí colocado pelo navegador português Diogo Cão há mais de quinhentos anos levou-me, desde logo, a concordar com um diplomata daquele país africano quando afirmou não apenas que "O regresso da Cruz [o referido padrão] original é um passo importante para nos reconciliarmos com o nosso passado colonial e o rastro de humilhação e injustiças sistemáticas que deixou" mas também que apenas "o confronto e a aceitação deste passado doloroso libertará os namibianos para consciente e confiantemente poderem confrontar o futuro".

Mas também me levou a reflectir no seguinte: quando, em Vila Real, não há muitos anos, li esta inscrição


SEGVNDO A TRADIÇÃO
NESTA CASA NASCEV
DIOGO CÃO ESCVÐ
IRO DA CASA Ð D. JOÃO II QVE Ð
1482 A 1486 ÐSCOBRIV E EXPLO
ROV A COSTA OCIDENTAL Ð AFRICA
ÐEÐ O RIO ZAIRE À SERRA PARDA

não me recordei – imediatamente, pelo menos –, do facto de Diogo Cão ter, em 1479 (ou em 1480, não tenho a certeza), aprisionado, no Golfo da Guiné, um pirata/corsário francês e o ter trazido para Portugal.

Recordei-me, na verdade, das aulas de História que tive na escola.

E no muito que nelas me falaram dos Descobrimentos (ou ‘Achamentos’…) portugueses e de alguns dos seus ‘actores’ principais.

Ora, Diogo Cão foi um deles.

Percebi, entretanto, que, em Vila Real, apesar de aí ter, provavelmente, nascido Diogo Cão, não existia qualquer núcleo museológico que o homenageasse e, assim, dignificasse a sua figura e a sua acção como navegador ao serviço da Coroa portuguesa.

Triste, porque sinceramente acho que quer a memória de Diogo Cão, quer Vila Real, quer o próprio país o mereciam.

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