22/05/2019

A biodiversidade

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Biodiversidade.

Mais do que recordar a viagem que, em 1831, o naturalista inglês Charles Darwin iniciou a bordo do navio Beagle e as suas observações que mudariam a forma de se compreender o mundo – com a formulação da teoria da Evolução das Espécies e o consequente ‘desmantelamento’ da teoria Criacionista do mundo –, a ‘efeméride’ que hoje se assinala relembra-nos, como referiu, há anos, a professora Maria Amélia Martins-Loução, "a necessidade de olhar a biodiversidade como um tema crucial das nossas vidas".

Certamente.

No entanto, e como o Tempo tem passado mas pouco (ou nada) “palpável” e “positivo” parece ter “avançado”, cito um texto que escrevi também já há um ano.


"Os Professores Ron Milo e Yinon M. Bar-On (ambos docentes no Instituto Weizmann de Ciência, em Israel) e Rob Phillips (oriundo do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos da América) são os autores de um trabalho – “The biomass distribution on Earth – recentemente publicado, online, pelo jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Nele se afirmou, com base em dados científicos e, pois, rigorosos, que a espécie humana (que, recorde-se, conta actualmente mais de sete biliões de ‘efectivos’), representando sempre uma ínfima parte de todos os seres vivos do planeta Terra, foi a causadora, sobretudo de forma directa, da destruição de cerca de 83% de todos os mamíferos e de 50% das plantas.

Mas, de facto, não é caso para se estranhar esta atitude predadora.

Porque, como chegou a afirmar o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti, «O Homem é ainda – tal como sempre foi – brutal, violento, agressivo, materialista, competidor e construiu, por isso, uma sociedade de acordo com estas mesmas características»...".

Ora, uma vez que os Estados Unidos da América - poder-se-ia afirmar, ironicamente, que em mais um espectacular momento de liderança do mundo - nunca ratificaram a convenção sobre a diversidade biológica na Terra,  receio bem que a conferência da Organização das Nações Unidas sobre a biodiversidade que a China acolherá em 2020 seja só mais uma conferência...


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Muito se tem escrito, nas últimas semanas, sobre a possibilidade, bem real, de Portugal voltar a ter no seu território, de forma permanente, ursos-pardos.

Ora, creio ser legitima a reflexão de quem, como eu, viu já um ‘busto’ de urso-pardo na "Sala de Caça" do Palácio Nacional de Mafra: por muito interessante que eu pudesse achar o facto de poder ver, por assim dizer, ‘exemplares’ do maior carnívoro da Europa em espaços controlados – "espaços animais" equivalentes às "reservas" que, por todo o mundo, ‘agrupam’ (e controlam…) alguns seres humanos – ou, mesmo, no seu habitat natural (ou assim considerado), quem me conseguiria garantir que esses animais não voltariam a ser exterminados?

Os nossos antepassados demonstraram em 1843 (ano em que foi morto em Portugal o último ‘exemplar’ de urso-pardo) que não sabiam conviver com esse outro mamífero. E agora?

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