21/05/2019

Os "cowboys" do apocalipse

Tendo sido um país politicamente nascido à beira do século XVIII, quase tudo nos Estados Unidos da América começou por ser o resultado de uma apropriação cultural.

Como a palavra "cowboy" – e, claro, o trabalho por este desenvolvido –, importada do México – que, como o lema actual do estado do Novo México, "Crescit eundo" (ou, em português, "Cresce avançando"), foi avançando e crescendo.

México que, por sua vez, também a ‘importou’ (através da colonização) de Espanha onde existia como "vaquero".

Que, também por sua vez, terá ‘sofrido’ uma espécie de contaminação ortográfica e linguística do "vaqueiro" usado em Portugal (recorde-se, por exemplo, "O Monólogo do Vaqueiro" de Gil Vicente).

Ora, alguns séculos depois – em (21 de) Maio de 1979 – foi feita a apresentação pública (no Festival de Cannes) do filme Apocalypse Now, realizado por Francis Ford Coppola.

Para muitos, este filme não se ‘limitou’ a fazer um ‘retrato’ da intervenção militar norte-americana no Vietname.

De facto, ele terá ajudado a esboçar um panorama mais claro do contexto geopolítico que envolvia a guerra nesse país asiático e, sobretudo, terá revelado – como poucos filmes, norte-americanos ou não, o têm sequer feito de então para cá –, mesmo que involuntariamente, a tal "mentalidade de cowboy".


E já em 2019, o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, acusou, numa entrevista televisiva (à TVE), os mais ‘altos’ dignitários do poder político norte-americano de terem uma "mentalidade de cowboy" em relação à situação na Venezuela.




Apocalypse Now poster.jpg
Poucos filmes realizados por cineastas norte-americanos têm vindo a denunciar uma espécie de mentalidade de "cowboy" dos Estados Unidos da América como Apocalypse Now de Francis Ford Coppola.


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