16/09/2019

O Dia Internacional da Democracia

Aproveito para, no dia seguinte ao "Dia Internacional da Democracia", citar uma personalidade que, em grande parte da sua vida, defendeu valores contrários à liberdade, à igualdade e ao respeito pela diferença.
À Democracia e ao Estado de direito, portanto.

Valores que, apesar de todo o Mal que trouxeram à humanidade, muitos desejam, hoje, reavivar...


"O nosso parlamentarismo democrático actual não procura uma assembleia de gente sabedora, mas de recrutar uma multidão de zeros intelectuais tanto mais fáceis de manejar quanto maior é a limitação mental de cada um deles.

Só assim se pode fazer uma "política de partidos", único meio que permite aos que puxam os fios ficarem cautelosamente na sombra sem serem chamados à responsabilidade.

Desta maneira, nenhuma decisão, por mais nociva e nefasta que seja para o país, será contabilizada na conta de um patife de todos conhecido, irá pesar sobre as costas de todo um partido.

Na prática, desaparece toda a responsabilidade, pois esta só pode recair numa pessoa determinada, não num grupo parlamentar de mexeriqueiros.

Em consequência, o regime parlamentar só pode agradar aos espíritos dissimulados que receiam actuar à luz do dia. Será sempre detestado por todo o homem sério e recto que tenha noção das responsabilidades.

Eis a razão por que essa forma de democracia se converteu no instrumento daquela raça cujos fins ocultos, agora e sempre, têm todas as razões para recear a luz. Ninguém como o judeu aprecia semelhante instituição, suja e infame como ele próprio".

O autor?

Adolf Hitler (no seu "
Mein Kampf").

14/09/2019

O que é um país?

Quem, como eu, tenha visto o ‘desfile’ de atletas no dia inicial dos Jogos Olímpicos realizados na cidade brasileira do Rio de Janeiro há cerca de três anos e procedido à contagem do número de países representados ter-se-ia apercebido de 206.

Já a Fédération Internationale de Football Association – a FIFA – as "Nações Unidas do futebol" (como se define) conta, actualmente, como associações suas afiliadas 211.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas propriamente dita – a ONU – agrupa, hoje em dia, 193 países e 2 Estados observadores não-membros: o Vaticano (a Santa Sé) e a Palestina.

Ou seja, 206 (Comité Olímpico Internacional), 211 (FIFA) e 195 (ONU).

O que explica, então, a disparidade no número de países no mundo?

Critérios e definições diferentes do que se considera ser um país, pura e simplesmente.

13/09/2019

Lisboa e o baralho de cartas

Não tenho competência técnica para confirmar, ou não, o que uma oradora – funcionária da Câmara Municipal de Lisboa – afirmou, através de um "slide", no Simpósio STORM. Risco e Património em Portugal que, em 2018, decorreu no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.

"Lisboa não é indiferente. Investe, articula e integra projetos e estratégias que têm incrementado a resiliência da cidade".

O que sei, sim, é o que li já, por exemplo, numa notícia sobre o risco sísmico na capital.

De facto, o artigo "Risco sísmico em Lisboa: "É como estar em cima de um barril de pólvora"", que o jornal Público publicou na sua edição digital no início de Janeiro de 2017, sublinhou que "Naquela cidade italiana [Amatrice], abalada várias vezes entre Agosto e Dezembro do ano passado, "não vai ficar uma única construção de pé" e isso deve-se sobretudo a reabilitação urbana mal feita. "O que se faz é um peeling aos edifícios e o resultado é este", disse o docente universitário [Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico], enquanto mostrava aos deputados fotografias de Amatrice destruída. "É uma reabilitação como a que nós fazemos aqui em Lisboa", atirou".

Recordo que existem cerca de 52.500 edifícios em Lisboa e que está cientificamente garantido, por assim dizer, que a capital portuguesa irá voltar a ser ‘alvo’ de um terramoto de magnitude semelhante à daquele que a atingiu no dia 1 de Novembro de 1755.

12/09/2019

A conspiração dos Távoras?

Afirmaram as autoridades judiciais portuguesas que na noite de 3 de Setembro de 1758 a carruagem que transportava o rei D. José sofreu um ataque armado.


Terá mesmo?


Real ou inventado, certo é que o regime (governado, de facto, por Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal) aproveitou para ‘afastar’ alguns membros da Nobreza que considerava ‘obstáculos’ e ‘’incómodos’.


Que ‘pertenciam’, por sinal, a uma só família: a Távora.


Ora, após terem quatro pessoas dessa mesma família sido consideradas culpadas, moral e materialmente, desse ataque, foram barbaramente executadas através do fogo, da decapitação, do despedeçamento e do estrangulamento em 12 de Janeiro de 1759 no actualmente designado "Beco do Chão Salgado", em Belém, Lisboa.

11/09/2019

Jovens, adultos e idosos

Um estudo publicado há alguns anos na revista "The Lancet Child & Adolescent Health" advogava que a "adolescência" deveria estender-se até aos 24 anos de idade e já não até aos 18 ou 19, por assim dizer.

Independentemente das justificações de índole biológica ou, até, sociológica que suportem esta mudança, aceito mas não concordo.

Acho que é incontestável que o ciclo da vida humana é, actualmente, muito diferente do que era há 200, 100, 50 ou mesmo 30 anos.

Convencionou-se, por isso, o estabelecimento de algumas regras institucionais: é-se ‘jovem’ até aos 35 anos de idade, ‘adulto’ dos 35 aos 65 anos de idade e ‘idoso’ (ou ‘sénior’) com 65 e mais anos.

Ora, se se é jovem até aos 35 anos não me surpreende nada que se possa ser adolescente até aos 25 anos…

Mas não estou de acordo com esta alteração porque me parece que ela tem subjacente uma infantilização da personalidade de cada ‘jovem’.

Trata-se, no fundo, da promoção de uma menorização de um segmento importante de todas as sociedades do mundo e, em certa medida, da retirada de responsabilidade perante essas mesmas sociedades.

Ao contrário, deveriam poder ser responsabilizados pelas suas escolhas e pelos seus erros enquanto seus membros de pleno direito.

Gostaria, todavia, de perceber melhor as ‘reais dimensões’ (ou melhor, as implicações) de tal mudança na interacção entre os referidos jovens adolescentes e os Estados no que se refere, por exemplo, ao sistema penal e judicial em questão.

É certo que o envelhecimento de muitas sociedades humanas é um fenómeno que veio para ficar mas não me parece que este adiamento etário – e emocional – seja a medida certa para o combater.

10/09/2019

A política radical

Cito algumas palavras que o sociólogo inglês Anthony Giddens escreveu em meados da década de 1990 na sua obra "Beyhond Left and Right. The Future of Radical Politics":


"Em cada circunstância social, é limitado o número das maneiras de lidar com os casos de confronto de valores. Uma dessas maneiras é através da segregação geográfica… Outra, de tipo mais activo, é através do êxodo… Uma terceira maneira de lidar com as diferenças entre indivíduos ou culturas é através do diálogo. Neste caso, o confronto de valores pode, em princípio, dar-se sob um signo positivo – ou seja, pode ser um meio de incrementar a comunicação e a autocompreensão. Por último, o confronto de valores pode ainda ser resolvido através do recurso à força ou à violência… Na sociedade globalizante [quereria dizer-se globalizada?] em que presentemente vivemos, duas destas quatro opções afiguram-se drasticamente reduzidas".


Tenho, desde logo, muitas dúvidas quanto a considerar que o planeta acolhe, actualmente, uma só comunidade humana: apesar de eu não reprovar e, pelo contrário, incentivar o que acho serem as virtudes da globalização, continuo a achar que os vários ‘agrupamentos’ humanos da Terra são (ainda?) possuidores de características culturais e outras que impedem que se ‘unam’ como uma só sociedade no sentido em que o autor a entenderia.

Ou seja, como escreveu o aqui já por mim citado escritor de origem libanesa Amin Maalouf no seu "Um mundo sem regras", são bastantes as "tribos planetárias que formam a humanidade, hoje".

Não consigo perceber, pois, quais as duas opções consideradas quase inviáveis no que respeita à forma como o autor entendia como modos possíveis de lidar com a diferença.

Seriam a violência e a segregação?

Basta, no entanto, que se recordem os acontecimentos passados na América, na Europa, em África, na Oceânia e, mais recentemente, na Birmânia (ou Myanmar, na Ásia), por exemplo, para perceber, creio, que tais ‘episódios’ estão sempre a acontecer...

09/09/2019

Luís António Verney e o "Verdadeiro Método de Estudar"

"Os homens nasceram todos livres e todos são igualmente nobres (…) O ser filho de um homem ilustre não é o mesmo que ser ilustre (…) Dispa V. S. dos seus vestidos este grande, separe as carruagens e os criados, e não poderá distingui-lo do homem mais ordinário [simples] do povo (…) E se neste estado o transfere a outro país distante, não só não é nobre, mas é positivamente vil (…). Os homens insignes é que são verdadeiramente nobres. Esta nobreza é natural, de que ninguém os pode despojar".


Fonte: Luís António Verney, "Verdadeiro Método de Estudar"