O
lema da República de Angola é "Virtus Unita Fortior" ("A
Unidade Dá Força", em português).
No
entanto, nem todos em Angola parecem concordar com essa unidade.
De
facto, com uma pequeníssima frase descreve a Frente de Libertação
do Estado de Cabinda (FLEC) a relação identitária, cultural e,
de certo modo, "espiritual", que pensa existir entre a região e
o país que, política e administrativamente, a controla: "Cabinda
não é Angola!".
Criada
no início de Agosto de 1963, a FLEC continua, actualmente, a
reivindicar a independência de Cabinda.
Talvez,
por isso mesmo,
seja
pertinente invocar o
conteúdo integral
de
um comunicado que o porta-voz do movimento –
que
alguns consideram ser separatista –, Jean
Claude Nzita,
endereçou
às redacções de vários órgãos noticiosos em 1 de Fevereiro de
2016 e que está disponível na "Internet".
"Na
ocasião da celebração do 131º aniversário do Tratado
Luso-Cabindês de Simulambuco, assinado a 1 de Fevereiro de 1885 e
validado durante a Confere[ê]ncia de Berlim, a FLEC recorda, ao
Governo Português que o Tratado de Simulambuco é um compromisso
ainda vivo, e reafirmado em Simulambuco pelo presidente português
Craveiro Lopes, que estabelece princípios de reciprocidade e o dever
de Portugal obrar [zelar] pela protecção, liberdade,
autodeterminação e soberania do povo de Cabinda que continua a
respeitar o Tratado e a reclamar os seus direitos ao abrigo do
Direito Internacional.
Portugal
honrou os seus deveres [para]
com o povo de Timor-Leste mas Portugal traiu o povo de Cabinda,
ignorando o Tratado de Simulambuco, tentou vender a soberania do povo
de Cabinda que aceitou a sua protecção, Portugal também tentou
suprimir Cabinda simulando a sua integração no território de
Angola, mas Portugal não consegui[u] extinguir [a] Identidade do
Povo de Cabinda nem o seu desejo de independência.
1
de Fevereiro é também o Dia da Identidade do povo de Cabinda o
alicerce da nação e unidade cabindesa e continuidade da força da
nossa razão e luta.
Portugal
continua a trair Cabinda e o seu povo, mas Cabinda não trai
Portugal. A FLEC manifesta o seu contentamento por Portugal poder
exercer democraticamente os valores da democracia que estão vedados
a Cabinda, por isso felicita a vitória eleitoral do Dr. Marcelo
Rebelo de Sousa e deseja que a sua presidência seja marcada pela
coragem e reparação dos erros passados do país que vai presidir
reconhecendo os direitos legítimos de Cabinda em nome dos laços que
unem as duas nações que permanecem lavrados no Tratado de
Simulambuco.
A
FLEC acredita que o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa irá marcar com
dignidade a sua presidência terminando corajosamente o processo de
descolonização portuguesa inacabado reconhecendo os direitos e
legitima soberania à última colónia lusófona, Cabinda.
A
Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC)"
Existindo,
aliás, uma descontinuidade territorial entre aquelas que são as
fronteiras políticas e geográficas de Angola e aquelas do
território de Cabinda, recorde-se que as instâncias políticas
portuguesas (respaldadas pelos textos constitucionais) assumiram, até
25 de Abril de 1974, a soberania e a independência de Cabinda.
Posição política diferente foi, no entanto, aquela que se
verificou, em 1975, na chamada Conferência de Alvor na qual a
região de Cabinda foi integrada no território de Angola.
Recorde-se,
também, que Cabinda é, nos dias de hoje, uma das províncias de
Angola que maior extração e exploração de petróleo proporciona.