Muitos países africanos mantiveram, durante décadas, em uso corrente no seu sistema monetário o Franco CFA.
Fruto da colonização francesa, sobretudo.
No entanto, durante o passado fim-de-semana, nem mais, nem menos, do que oito desses países - Benim, Burkina Faso (o antigo Alto Volta), Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo - acordaram com a França dar um novo nome a essa moeda: Eco.
Mas o Eco continuará, como o Franco CFA, a estar indexado ao Euro europeu.
Ou seja, mudança de nome mas ... pouco mais.
28/12/2019
27/12/2019
Livros e homens
Há poucos dias, alguns funcionários de uma biblioteca – supus que
pública – localizada na zona Noroeste da China, queimou, depois de
uma ‘limpeza’, mais de meia centena de livros que considerou
ilegais.
Ora,
tal acto inquietou-me muito porque um livro é para mim preciosíssimo
e, como tal, creio que era incapaz de o fazer de forma voluntária (não que tais funcionários o tivessem feito, bem entendido).
Mas
também me inquietou porque me lembrei novamente das palavras que
Heinrich Heine, poeta alemão do século XIX, escreveu (e que já
citei aqui no blogue): "Quem começa por queimar livros, acaba
por queimar homens".
26/12/2019
Os judeus e o Marquês de Pombal
O
comendador Inácio Steinhardt
lembrou já no seu livro "Raízes dos judeus em Portugal : entre godos e sarracenos" que
quando "D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento do seu reino
independente, em 1143, já viviam judeus na Península há pelo menos
um milénio".
Ora,
o historiador e professor
Charles Ralph Boxer, também
no seu
livro "O
Império Marítimo Português 1415-1825" escreveu
sobre a existência de "uma
história muito conhecida segundo a qual D. José estava a considerar
uma proposta da Inquisição no sentido de que todos os
cristãos-novos [judeus convertidos ao cristianismo] do
seu reino deveriam ser obrigados a usar chapéu branco como um sinal
de que tinham sangue judeu. No dia seguinte, [o Marquês de] Pombal
apareceu no gabinete real com três chapéus brancos, e explicou que
tinha trazido um para o rei, outro para o inquisidor-mor e outro para
si próprio".
De
facto, segundo vários estudos genéticos que têm vindo a ser
feitos, serão actualmente cerca de 20% (ou mesmo mais) dos
portugueses aqueles que têm ascendência judaica.
Ou
seja, atingindo uma percentagem talvez maior do que aquela existente,
por assim dizer,
em países como os Estados Unidos da América ou a Rússia, a muitos
portugueses ‘dirá’ muito
(desculpe-se-me a repetição) o
lema de Israel – "ישראל"
("Israel",
em português).
***
Quem
quer que visite a igreja da Memória, em Lisboa, não deixará,
decerto, de ficar impressionado com o facto de a urna que contém os
restos mortais de Sebastião José de Carvalho e Melo – o Marquês
de Pombal – ser tão pequena quando comparada com muitas daquelas
que hoje conhecemos.
No
fundo, como é que alguém que foi tão ‘grande’ em vida pôde,
na morte, ‘habitar’ tão diminuta ‘caixa’?
Ora,
talvez o(s) autor(es) daquilo que o Marquês de Pombal não teria
deixado de considerar "uma tão grande afronta" tenha querido
transmitir isso mesmo: na morte, todos somos iguais. Grandes e
pequenos.
Etiquetas:
judeus,
marquês de pombal
24/12/2019
A URSS e os talibãs
Soldados do exército da União Soviética invadiram no dia 24 de Dezembro de 1979 o território do Afeganistão para auxiliar o governo comunista que comandava o país na sua luta contra as guerrilhas de ‘inspiração’ muçulmana (que dariam ‘origem’ aos tristemente célebres talibãs…).
23/12/2019
Angola, Cabinda e Simulambuco
O lema da República de Angola é "Virtus Unita Fortior" ("A Unidade Dá Força", em português).
No entanto, nem todos em Angola parecem concordar com essa unidade.
De facto, com uma pequeníssima frase descreve a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) a relação identitária, cultural e, de certo modo, "espiritual", que pensa existir entre a região e o país que, política e administrativamente, a controla: "Cabinda não é Angola!".
Criada no início de Agosto de 1963, a FLEC continua, actualmente, a reivindicar a independência de Cabinda.
Talvez, por isso mesmo, seja pertinente invocar o conteúdo integral de um comunicado que o porta-voz do movimento – que alguns consideram ser separatista –, Jean Claude Nzita, endereçou às redacções de vários órgãos noticiosos em 1 de Fevereiro de 2016 e que está disponível na "Internet".
"Na
ocasião da celebração do 131º aniversário do Tratado
Luso-Cabindês de Simulambuco, assinado a 1 de Fevereiro de 1885 e
validado durante a Confere[ê]ncia de Berlim, a FLEC recorda, ao
Governo Português que o Tratado de Simulambuco é um compromisso
ainda vivo, e reafirmado em Simulambuco pelo presidente português
Craveiro Lopes, que estabelece princípios de reciprocidade e o dever
de Portugal obrar [zelar] pela protecção, liberdade,
autodeterminação e soberania do povo de Cabinda que continua a
respeitar o Tratado e a reclamar os seus direitos ao abrigo do
Direito Internacional.
Portugal
honrou os seus deveres [para]
com o povo de Timor-Leste mas Portugal traiu o povo de Cabinda,
ignorando o Tratado de Simulambuco, tentou vender a soberania do povo
de Cabinda que aceitou a sua protecção, Portugal também tentou
suprimir Cabinda simulando a sua integração no território de
Angola, mas Portugal não consegui[u] extinguir [a] Identidade do
Povo de Cabinda nem o seu desejo de independência.
1
de Fevereiro é também o Dia da Identidade do povo de Cabinda o
alicerce da nação e unidade cabindesa e continuidade da força da
nossa razão e luta.
Portugal
continua a trair Cabinda e o seu povo, mas Cabinda não trai
Portugal. A FLEC manifesta o seu contentamento por Portugal poder
exercer democraticamente os valores da democracia que estão vedados
a Cabinda, por isso felicita a vitória eleitoral do Dr. Marcelo
Rebelo de Sousa e deseja que a sua presidência seja marcada pela
coragem e reparação dos erros passados do país que vai presidir
reconhecendo os direitos legítimos de Cabinda em nome dos laços que
unem as duas nações que permanecem lavrados no Tratado de
Simulambuco.
A
FLEC acredita que o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa irá marcar com
dignidade a sua presidência terminando corajosamente o processo de
descolonização portuguesa inacabado reconhecendo os direitos e
legitima soberania à última colónia lusófona, Cabinda.
A
Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC)"
Existindo,
aliás, uma descontinuidade territorial entre aquelas que são as
fronteiras políticas e geográficas de Angola e aquelas do
território de Cabinda, recorde-se que as instâncias políticas
portuguesas (respaldadas pelos textos constitucionais) assumiram, até
25 de Abril de 1974, a soberania e a independência de Cabinda.
Posição política diferente foi, no entanto, aquela que se
verificou, em 1975, na chamada Conferência de Alvor na qual a
região de Cabinda foi integrada no território de Angola.
Recorde-se,
também, que Cabinda é, nos dias de hoje, uma das províncias de
Angola que maior extração e exploração de petróleo proporciona.
21/12/2019
Terrorismo aéreo
Carregado de passageiros, um avião que partiu de um dos vários aeroportos da capital inglesa com destino a Nova Iorque explodiu exactamente quando sobrevoava a localidade escocesa de Lockerbie.
Todos os ocupantes e mais onze pessoas que se encontravam no solo morreram.
21 de Dezembro de 1988.
Todos os ocupantes e mais onze pessoas que se encontravam no solo morreram.
21 de Dezembro de 1988.
20/12/2019
"A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla"
Foi no ano de 1513 que os
navegadores portugueses chegaram à terra que haveria de se chamar
Macau.
Desconfiados,
os chineses acabaram por erguer uma fronteira entre o território
‘dos’ portugueses e a China: a Porta do Cerco.
Ora,
séculos depois, num restauro, foi-lhe incorporado o lema da Marinha
Portuguesa – "A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla".
Mas,
na verdade, se se passarem os olhos pelo livro do jornalista José
Pedro Castanheira "Os 5 dias que abalaram Macau" talvez se
consiga descobrir que "Macau sempre tinha sido olhado pela capital
do império com menos atenção, desinteresse e indiferença".
E
se se procurarem outros documentos escritos na época da mudança
oficial de soberania (que aconteceu em 20 de Dezembro de 1999) –
como peças jornalísticas, por exemplo – talvez se descubram
‘pérolas’ como a de um assessor do então governo (ainda
português) de Macau referir que o território havia sido, até há
poucos anos, um deserto absoluto de desinteresse por parte de
Portugal. Ou o subdirector dos Serviços de Turismo de Macau – um
português natural de Macau – declarar, em Maio de 2004, que
Portugal nunca tivera a noção exacta do que era Macau pelo que não
cumpria o seu papel perante a história.
No
entanto, indiferente a tanta indiferença, a Porta do Cerco ainda
hoje existe e consta, até, da lista de Património Mundial da
UNESCO.
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