Quando morreu, em Lisboa, em
Julho de 1955, o empresário e coleccionador que havia nascido na
cidade turca de Istambul mas que tinha ‘raízes’ familiares –
ou seja, étnicas e culturais – na Arménia, Calouste Gulbenkian,
tinha dois pequenos papéis no bolso.
Um
com duas frases do empresário norte-americano Henry Ford e o outro
também com uma frase do filósofo romano Séneca.
Ora,
as frases de Henry Ford eram estas: "Do your own work, mind your
own business, and don’t engage in controversy – that’s the way
to get along. And, above all else, keep away from lawyers, they’re
bound to get you into trouble" (ou, em língua portuguesa, "Faz o teu próprio trabalho, cuida dos teus próprios assuntos e
não te envolvas em conflitos – é a melhor forma de te dares bem.
E, acima de tudo, afasta-te dos advogados, é provável que te metam
em sarilhos"***).
E
a de Séneca: "Vivez chaque jour comme si ce
jour representait les limites de votre vie et rendez-le aussi
agreable que possible parce qu’il contient la seule realite dont
vous disposiez" (ou, em português, "Viva
cada dia como se esse dia representasse os limites da sua vida e
torne-o tão agradável quanto possível, porque ele contém a única
realidade de que dispõe").
Assim,
com esta ‘bagagem’ ética e moral, não admirará que
o lema de Calouste Gulbenkian – como coleccionador, sim, mas não
só – fosse "only the best is good enough for me" (ou, em
português, "apenas o melhor é para mim suficiente").
*** Curiosamente, o sítio da Fundação Calouste Gulbenkian na "Internet" (https://gulbenkian.pt/) refere o seguinte: "Em
testamento (1953) deixou importantes legados aos seus filhos, definiu
pensões vitalícias para outros familiares e colaboradores, e
estabeleceu a constituição de uma fundação internacional, com o
seu nome, herdeira do remanescente da sua fortuna, com sede em
Lisboa, presidida pelo seu advogado de confiança, Lord Radcliffe. A
ele confiou a missão de agir em benefício de toda a "humanidade"".

