16/06/2020

O chá de Bragança


Na canção "Englishman in New York" (‘lançada’ em 1988) o cantor inglês Sting dizia, por exemplo, que um inglês não bebia café, mas chá.

Ora, a filha do rei D. João IV Catarina de Bragança levou, no século XVII, hábitos portugueses para a corte inglesa sendo que um deles foi o consumo de chá. Que depois se popularizou por todo o reino.

De facto, fruto do seu casamento com o rei Carlos II, Catarina tornar-se-ia a primeira – e, até agora, única – rainha portuguesa em Inglaterra. Casamento esse que acabaria por trazer a esse país uma certa estabilidade e prosperidade que haviam sido ‘eliminadas’ com uma guerra civil para além de fortalecer a aliança com Portugal e lhe dar territórios em África e na Ásia (na Índia, sobretudo).


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"O chá é uma tradição secular dos Açores. As primeiras sementes chegam a S. Miguel, no século XVIII, trazidas pelas naus que retornavam do Oriente. O clima ameno e as características do solo desta ilha, são apenas dois dos factores decisivos para o seu desenvolvimento. Em 1878, dois chineses foram contratados para ensinar técnicas de preparação das folhas e fabrico do chá. O saber ancestral passou de geração em geração e criaram-se novas fábricas de chá na ilha. É na Gorreana, no concelho da Ribeira Grande, que podemos encontrar um chá mundialmente famoso (preto e verde), com aromas e sabor únicos. Na Europa, as duas únicas plantações de chá com fins industriais ficam na Ilha de S. Miguel e são hoje um atractivo turístico da ilha".

15/06/2020

Piratas e corsários

Fui obrigado a usar, durante algum tempo, na livraria em que trabalhava, uma "t-shirt" alusiva a um novo título recentemente ‘lançado’: "Black Barty".

Referência directa ao pirata galês Bartholomew Roberts que viveu na "primeira metade" do século XVIII.

De facto, os termos "pirata" e "corsário" parecem-me ser, não raras vezes, utilizados indiferentemente.

Existe, no entanto, uma diferença entre eles, por assim dizer.

Os piratas eram como que profissionais que "trabalhavam" por conta própria: roubavam navios independentemente da sua origem (isto é, que podiam usar bandeira/pavilhão do seu próprio país).

Os corsários, pelo contrário, ‘actuavam’ como piratas, sim, mas obedecendo a ordens emanadas por um monarca. Eram, assim, como que empregados por conta de outrem...

13/06/2020

Lisboa

Lisboa assinala hoje o seu dia.

E eu também o assinalo recorrendo a algumas citações.



"Em Lisboa a vida é lenta. Tem raras palpitações dum peito desmaiado". 




Eça de Queirós, Lisboa. In "Prosas bárbaras", 1867 






"Lisboa é perfeitamente uma terra phantastica. No globo terraqueo não ha nada que se pareça com ella. (…) Lisboa é um parenthesis na grande vida do universo. É uma cousa á parte, que nem no passado, nem no presente, e parece-me que nem no futuro terá rival". 




Gervásio Lobato, "A comédia de Lisboa", 1877 






"Para entendimento da minha descrição acrescentarei que Lisboa está encaixada entre colinas, por vezes bastante altas, por onde sobem casas brancas dos bairros de habitação mais elevados, à direita e à esquerda das ruas rectilíneas da cidade nova".




Thomas Mann, "As confissões de Félix Krull", 1895





"As cidades nascem e morrem todos os dias, transfiguram-se sem perder a essência. Porventura terá Lisboa mudado assim tanto que a não reconheçamos?".




José Rodrigues Miguéis, "Lisboa cidade triste e alegre", 1959 

12/06/2020

"El Jadida" e "Mumbai"

Não foi há muito tempo que liguei o aparelho a que chamamos televisão e me deparei com a notícia de que um grupo de indivíduos estrangeiros, servindo-se de um pequeno barco, havia tentado entrar em Portugal, por assim dizer.

Ora, disse-se então, que tais pessoas eram provenientes de uma tal "El Jadida", em Marrocos.

Tal como, de quando em vez, vejo, ouço e/ou leio sobre "Mumbai", na Índia.

Assim, num momento das nossas vidas em que tanto se fala de Cultura, creio que se faria um enorme favor à Cultura (na sua ‘dimensão’ histórica – História de Portugal) se se referissem, respectivamente, a "Mazagão" e a "Bombaim"...

09/06/2020

A Guerra Civil Americana acabou mesmo?

Não são precisas mais do que duas palavras (e tudo o que, ética, moral e ideologicamente, significam, claro) para enquadrar as manifestações que, por estes dias, se têm verificado nos Estados Unidos da América (EUA) e no mundo: racismo e escravatura.


Embora o racismo seja um fenómeno que é transversal a todos os seres humanos, a ‘dimensão’ que se tem pretendido acentuar ‘partindo’ dos EUA é o racismo do Branco em relação ao Preto.


Ora, subjacente a esta ‘dicotomia’ racista está um conflito bélico que, entre 1861 e 1865, custou a vida a milhares de pessoas nos EUA: a Guerra Civil Americana.


De facto, esse conflito entre os estados do Norte – que se ‘baseava’ num ‘painel’ social e económico industrializado e dinâmico – (a União) e os estados do Sul (onze: o Alabama, a Florida, a Georgia, a Louisiana, o Arkansas, o Mississippi, a Carolina do Sul, a Carolina do Norte, o Texas, a Virginia e o Tennessee) – social e economicamente ‘baseados’ na agricultura (plantações de algodão, por exemplo) e na escravatura – (a Confederação), iniciou-se quando estes últimos abandonaram a União (isto é, os EUA) – ou seja, uma secessão – cientes de que a eleição (em Novembro de 1860) de Abraham Lincoln como presidente do país poria termo ao seu modo de vida, por assim dizer, já que Lincoln era um acérrimo defensor da abolição da escravatura nos EUA.

08/06/2020

O Tratado de Tordesilhas

Foi assinado no dia 7 de Junho de 1494 entre Portugal e Espanha um acordo que mudaria o mundo.


Acordado – ou melhor, oficializado já que, como sempre nas Relações Internacionais e na Diplomacia, tinham-se já verificado várias ‘entrevistas’ – numa vila localizada não muito longe da cidade espanhola Valladolid, Tordesilhas.


Efectivamente, como, de resto, refere o portal Ensina da RTP, "A 7 de junho de 1494, as delegações de Portugal e Espanha reuniram-se em Tordesilhas, perto de Valladolid, e acordaram no estabelecimento de uma linha 370 léguas a oeste de Cabo Verde, de polo a polo, que dividia o Oceano Atlântico em duas metades: todas as terras, descobertas e por descobrir, a oeste dessa linha pertenceriam aos reis de Espanha, e todas a leste caberiam a Portugal".

06/06/2020

D. João III, D. José I e Thomas Mann

Foi exactamente no dia 6 de Junho do ano 1502 que nasceu aquele que viria a reinar em Portugal sob o "título" D. João III que, por exemplo, estabeleceu a Inquisição no país (em 1536).

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E também foi no dia 6 de Junho mas de 1714 que nasceu um indivíduo do sexo masculino que se tornou no vigésimo quinto monarca de Portugal com o cognome “O Reformador”: D. José I.

Aproveito, assim para relembrar algo que eu já aqui escrevi: "Ora, o historiador e professor Charles Ralph Boxer, também no seu livro "O Império Marítimo Português 1415-1825" escreveu sobre a existência de "uma história muito conhecida segundo a qual D. José estava a considerar uma proposta da Inquisição no sentido de que todos os cristãos-novos [judeus convertidos ao cristianismo] do seu reino deveriam ser obrigados a usar chapéu branco como um sinal de que tinham sangue judeu. No dia seguinte, [o Marquês de] Pombal apareceu no gabinete real com três chapéus brancos, e explicou que tinha trazido um para o rei, outro para o inquisidor-mor e outro para si próprio".

O Marquês de Pombal – Sebastião José de Carvalho e Melo – foi o primeiro-ministro de D. José.

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E, como "não há duas sem três": foi no dia 6 de Junho de 1875 que, na cidade alemã Lübeck, nasceu alguém que viria a ganhar o Prémio Nobel da Literatura (em 1929) e, assim, foi um dos ‘expoentes’ da chamada literatura mundial: Thomas Mann.