15/07/2022

A Religião e a ilusão

Para o escritor francês Stendhal (1783-1842), todas as religiões eram "fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos". Não foi, evidentemente, o único a questionar a Religião. De facto, o austríaco Sigmund Freud, o neurologista e ‘fundador’ da psicanálise que viveu entre 1856 e 1939, considerou que a Religião mais não era do que uma construção mental (e, portanto, ilusória) dos seres humanos para enfrentar (ou "suportar") a angústia originada pela sua própria existência.

14/07/2022

Guerra e paz eterna

O filme "O Bom, o Mau e o Vilão" (ou, no título original, "Il Buono, il Brutto, il Cattivo") – que o realizador italiano Sergio Leone ‘divulgou’ em 1966 – insere-se no género "spaghetti-western" e a sua acção tem como "pano de fundo" a Guerra Civil americana (que aconteceu entre 1861 e 1865). Ora, entre os cenários onde se desenrola essa acção estava um cemitério. E foi precisamente um "cemitério" que o governo norte-americano destinou à terra (cerca de oitenta hectares) que foi confiscada ao líder (a um dos…) – o general Robert E. Lee – na "Virginia", espécie de capital dos estados a favor da escravatura – da "Confederação": o "Arlington National Cemetery". Morte à escravatura?

13/07/2022

O "Estado de Direito"

Ainda ontem aqui abordei o Direito. Efectivamente, o Direito regula todas as dimensões da existência humana. Na vida, claro, mas também na morte. Afirmou, certo dia, o político norte-americano Benjamin Franklin (que viveu entre 1706 e 1790) que "nada de absolutamente certo existe neste mundo para além da morte e dos impostos". E o "Direito"?

12/07/2022

"Que tenhas o corpo"

"Habeas corpus" – "que tenhas o corpo" – é a expressão latina que designa, no Direito, a garantia que um indivíduo tem de poder ser presente a um magistrado (juiz) no caso de existirem dúvidas acerca da legalidade da sua detenção. É, contudo, ‘claro’ – para mim, evidentemente – que, para alguns, existirão sempre dúvidas se forem detidos…

11/07/2022

Aliados e inimigos

Muito se tem dito e escrito, nos últimos meses, sobre a existência de uma espécie de articulação política – mais ou menos formal – entre as actuais autoridades governamentais da Rússia e da China. Quero, assim, aproveitar para lembrar três factos: o primeiro é que estes dois países partilham uma fronteira com cerca de quatro mil e trezentos quilómetros; o segundo: um pensamento que foi, certa vez, ‘traduzido’ por palavras pelo político russo Leon Trotsky (que viveu entre 1879 e 1940): "Qualquer aliado tem que ser visto exactamente como um inimigo"; e o terceiro: tendo em consideração os incidentes ocorridos na fronteira já referida em 1969, talvez os dirigentes políticos de ambos os países percebam o quão perigosos podem ser os "inimigos"...

09/07/2022

"Capelões" e outros erros

Numa reportagem que ontem vi e ouvi num canal televisivo português – emitida, pela RTP, no "Telejornal" – deu-se ‘conta’ de pormenores relacionados com o ‘afastamento’ de um docente – "padre" – responsável por ministrar aulas no "Colégio de S. Tomás", em Lisboa. Isabel Almeida e Brito, a reitora desse colégio, explicou então, por exemplo, o seguinte: "era um WhatsApp com bocas inapropriadas em que participava um dos nossos capelões”. Ora, a palavra que correctamente designa a forma plural de "capelão" – o padre responsável por uma capela – é "capelães". Assim, de facto, "capelões" está errada. Acredito, pois, sem qualquer dúvida – infelizmente – nas palavras que há dias encontrei na capa de um jornal publicado em Portugal: "Crianças com grandes dificuldades em aprender a escrever e a perceber o que leem"…

08/07/2022

Mais um atropelo linguístico

Quando estava, há dias, a percorrer as edições digitais de jornais da "nossa praça", deparei-me com a seguinte expressão (que sublinhei):
Aproveito, assim, para recordar as palavras que o Prof. Jorge Miranda utilizou no discurso que fez enquanto presidente da comissão organizadora das comemorações do "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas" de 2022: "o direito de falar, de ouvir, de escrever, de ler, de receber mensagens, o direito de comunicar em português. Um direito e também um dever. Por isso, não posso deixar, neste momento, de reagir contra os atropelos que vem sofrendo entre nós: constantes erros de sintaxe na Comunicação Social (…)". Ora, talvez não de sintaxe, mas lá que o que li é um erro, é…