16/07/2022

Maslow: necessidade e optimismo

Uma das questões que o concurso "Joker" – emitido pelo canal 1 da RTP – apresentou no episódio que foi transmitido na passada quinta-feira (no dia 14 de Julho, portanto) foi a seguinte: "A pirâmide das necessidades, proposta por Abraham Maslow, é uma teoria na área da…". Sucederam-se, então, as hipóteses de resposta em que o respectivo concorrente deveria atentar e, por exemplo, uma explicação apresentada pelo respectivo apresentador desse mesmo programa: "olhemos de cima para baixo [para a representação gráfica da referida "pirâmide das necessidades"]. Em cima, então, as necessidades fisiológicas; em segundo: as necessidades da segurança; em terceiro: as necessidades sociais como os afectos (aquele sentimento de pertença); quarto: estima e reconhecimento e quinto, auto-realização". Ora, socorro-me – uma vez mais... – de apontamentos que fiz enquanto aluno e pesquisas ‘simples’ na “Internet” para ‘provar’ que a explicação dada pelo apresentador estava errada: estaria correcta, sim, se tivesse referido "olhemos de baixo para cima". Creio que encarei sempre as perguntas e respostas veiculadas por um concurso de "cultura geral" emitido por um programa ‘da’ televisão pública – que muito preza o "serviço público" – como tendo uma espécie de selo de qualidade, rigor e verdadeiro conhecimento. De facto, a explicação que o apresentador de tal concurso referiu veio mostrar-me que a minha consideração/opinião talvez nunca tivesse sido mais do que um ‘sinal’ de excessivo "optimismo" social e cultural…

15/07/2022

A Religião e a ilusão

Para o escritor francês Stendhal (1783-1842), todas as religiões eram "fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos". Não foi, evidentemente, o único a questionar a Religião. De facto, o austríaco Sigmund Freud, o neurologista e ‘fundador’ da psicanálise que viveu entre 1856 e 1939, considerou que a Religião mais não era do que uma construção mental (e, portanto, ilusória) dos seres humanos para enfrentar (ou "suportar") a angústia originada pela sua própria existência.

14/07/2022

Guerra e paz eterna

O filme "O Bom, o Mau e o Vilão" (ou, no título original, "Il Buono, il Brutto, il Cattivo") – que o realizador italiano Sergio Leone ‘divulgou’ em 1966 – insere-se no género "spaghetti-western" e a sua acção tem como "pano de fundo" a Guerra Civil americana (que aconteceu entre 1861 e 1865). Ora, entre os cenários onde se desenrola essa acção estava um cemitério. E foi precisamente um "cemitério" que o governo norte-americano destinou à terra (cerca de oitenta hectares) que foi confiscada ao líder (a um dos…) – o general Robert E. Lee – na "Virginia", espécie de capital dos estados a favor da escravatura – da "Confederação": o "Arlington National Cemetery". Morte à escravatura?

13/07/2022

O "Estado de Direito"

Ainda ontem aqui abordei o Direito. Efectivamente, o Direito regula todas as dimensões da existência humana. Na vida, claro, mas também na morte. Afirmou, certo dia, o político norte-americano Benjamin Franklin (que viveu entre 1706 e 1790) que "nada de absolutamente certo existe neste mundo para além da morte e dos impostos". E o "Direito"?

12/07/2022

"Que tenhas o corpo"

"Habeas corpus" – "que tenhas o corpo" – é a expressão latina que designa, no Direito, a garantia que um indivíduo tem de poder ser presente a um magistrado (juiz) no caso de existirem dúvidas acerca da legalidade da sua detenção. É, contudo, ‘claro’ – para mim, evidentemente – que, para alguns, existirão sempre dúvidas se forem detidos…

11/07/2022

Aliados e inimigos

Muito se tem dito e escrito, nos últimos meses, sobre a existência de uma espécie de articulação política – mais ou menos formal – entre as actuais autoridades governamentais da Rússia e da China. Quero, assim, aproveitar para lembrar três factos: o primeiro é que estes dois países partilham uma fronteira com cerca de quatro mil e trezentos quilómetros; o segundo: um pensamento que foi, certa vez, ‘traduzido’ por palavras pelo político russo Leon Trotsky (que viveu entre 1879 e 1940): "Qualquer aliado tem que ser visto exactamente como um inimigo"; e o terceiro: tendo em consideração os incidentes ocorridos na fronteira já referida em 1969, talvez os dirigentes políticos de ambos os países percebam o quão perigosos podem ser os "inimigos"...

09/07/2022

"Capelões" e outros erros

Numa reportagem que ontem vi e ouvi num canal televisivo português – emitida, pela RTP, no "Telejornal" – deu-se ‘conta’ de pormenores relacionados com o ‘afastamento’ de um docente – "padre" – responsável por ministrar aulas no "Colégio de S. Tomás", em Lisboa. Isabel Almeida e Brito, a reitora desse colégio, explicou então, por exemplo, o seguinte: "era um WhatsApp com bocas inapropriadas em que participava um dos nossos capelões”. Ora, a palavra que correctamente designa a forma plural de "capelão" – o padre responsável por uma capela – é "capelães". Assim, de facto, "capelões" está errada. Acredito, pois, sem qualquer dúvida – infelizmente – nas palavras que há dias encontrei na capa de um jornal publicado em Portugal: "Crianças com grandes dificuldades em aprender a escrever e a perceber o que leem"…