16/01/2023

O eclesiástico filósofo e a cidade

Nunca estive em Berkeley, cidade norte-americana. Infelizmente. E também nunca estive na Irlanda. Igualmente, infelizmente. Mas o nome da cidade ‘deriva’ directamente do nome do prelado e filósofo irlandês que viveu ‘entre’ os séculos XVII (nasceu em 1685) e XVIII (morreu em 1753) George Berkeley.

15/01/2023

A "Carabao Cup"

"Carabao Cup". É esta a designação actual da Taça da Liga inglesa de futebol masculino. Se é certo que "carabao" é o nome não traduzido de uma espécie de búfalo com origem no subcontinente indiano (e, em geral, na região Sudoeste da Ásia), também não o é menos que aquela designação - "Carabao Cup" - da competição instituída na década de 1960 alude a uma marca de bebidas "energéticas" que a patrocina.

14/01/2023

O ibérico João Rodrigues Cabrilho

Leio ocasionalmente sobre a nacionalidade do soldado e navegador João Rodrigues Cabrilho – que terá nascido entre 1496 e 1499 e morreu em 1543: espanhola. Penso ser, por isso, o momento apropriado para lembrar as palavras que ‘acompanham’ uma estátua existente na cidade transmontana Montalegre.

13/01/2023

Regicídios: execuções em França e em Portugal

É na obra "Surveiller et punir: Naissance de la prison" (ou, na tradução portuguesa, "Vigiar e Punir. Nascimento da Prisão"), escrita pelo filósofo francês Michel Foucault e publicada em 1975, que se podem encontrar os pormenores da execução de Robert-François Damiens, em 1757, condenado por ter atentado contra a vida do rei de França, Luis XV. Execução por "desmembramento", lembro. Ora, seria também com 'traços' de uma grande crueldade que cerca de dois anos depois a 13 de Janeiro de 1759 (há duzentos e sessenta e quatro anos, portanto), precisamente - seriam executados quase todos os acusados (excepto um que estava foragido) da implicação no suposto atentado que o rei de Portugal, D. José I,teria sofrido alguns meses antes. Todos membros da família "Távora" e alguns dos seus empregados (para disfarçar?)...

12/01/2023

Churchill racista?

Foi já há alguns dias que tive a oportunidade de ler o texto do artigo que a revista inglesa "Spectator" publicou com o título "Was Winston Churchill a racist? A look at the evidence". De facto, depois de ‘analisar’ cerca de vinte milhões de palavras da autoria do antigo primeiro-ministro britânico (‘inseridas’ em livros, artigos, discursos bem como em cartas e outros documentos privados, por assim dizer) e ainda sessenta milhões de palavras sobre Churchill em livros biográficos e de "memórias" concluiu que não. Que não era racista. Ora, ainda que acredite sinceramente que tal conclusão seja indiferente, aproveito para lembrar um texto que publiquei aqui no blogue em 5 de Fevereiro de 2020: "Winston Churchill e o massacre de Amritsar". Já que os actos são bem mais elucidativos do que as palavras… "Na Inglaterra do século XVII, o pai do primeiro duque de Marlborough – de seu nome Winston Churchill – era um crente convicto na monarquia e um apoiante férreo do legítimo governante aquando da eclosão de uma guerra civil. Ora, com a derrota do rei Carlos I, Churchill perdeu a sua casa e as suas propriedades. Quando Carlos II assumiu o trono que fora ocupado pelo seu pai decidiu dotar aqueles que lhe haviam sido leais do título de Cavaleiro e do direito de escolher e utilizar um brasão. Mas não devolveu os bens perdidos nem atribuiu qualquer montante compensatório dessa perda. Assim, o recém-nomeado "Sir" Winston Churchill escolheu para lema a expressão espanhola "Fiel Pero Desdichado" (ou, em português, "Fiel Mas Deserdado"). Tal lema foi, então, transmitido de geração em geração e assumido por aquele que viria a ser o primeiro-ministro do Reino Unido durante grande parte da II Guerra Mundial: Winston Churchill. No entanto, quem também se terá sentido deserdado – pela sorte, evidentemente – foram os milhões de indianos que morreram enquanto este era governante. De facto, o domínio político da Índia pela Inglaterra (designada, depois, como "Reino Unido") durou de 1757 até 1947. Ora, em 13 de Abril de 1919 – e numa altura em que Winston Churchill ocupava o cargo de secretário de Estado da guerra –, um chefe militar britânico ordenou aos militares que comandava que disparassem sobre uma multidão que se encontrava reunida pacificamente assassinando, desse modo, centenas de pessoas. No entanto, tal chefe militar acabou mesmo por receber, anos depois, honras de Estado no seu funeral ‘apagando-se’ assim as suas responsabilidades - e as da própria potência colonizadora e seus agentes políticos - naquele que é ainda hoje lembrado como o "massacre de Amritsar". Anos depois, já em 1943, em plena II Guerra Mundial, o estado de Bengala viu morrer cerca de três milhões de pessoas. Assassinadas pois, já que morreram de fome quando, segundo um estudo publicado no jornal Geophysical Research Letters em Fevereiro de 2019, a comida disponível na Índia foi 'exportada' para a metrópole colonizadora para auxiliar nos esforços de combate à tirania do Eixo. Ora, longe do ´titulo’ de assassino e, eventualmente, genocida, certo é que "Sir" Winston Churchill passou alguns dias de férias na ilha da Madeira – no concelho de Câmara de Lobos – no início do ano de 1950, numa altura em que não tinha ainda sido eleito primeiro-ministro pela segunda vez".

11/01/2023

As Portas e o "Transvaal"

É em Odemira que podemos encontrar as "Portas do Transval". Apesar de nunca lá ter ido, rapidamente compreendi que, apesar da homofonia, ‘este’ "Transval" nada tinha a ver com a antiga província da África do Sul de nome "Transvaal", precisamente. Com efeito, ‘este’ "Transvaal" ocupava a área Nordeste do país e deveu a sua designação aos "Afrikaners" que na década de 1830 migraram para a região depois de cruzarem o rio "Vaal".

10/01/2023

Os EUA e o livre comércio

No discurso que pronunciou aquando do "Estado da União" (ou "State of the Union") em 1958, o então presidente norte-americano Dwight Eisenhower sublinhou, por exemplo, que o livre comércio era, simultaneamente, do interesse dos Estados Unidos da América (E.U.A.) e da paz mundial. Mas se, também por exemplo, o país conseguia produzir, após o fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de metade da quantidade de aço fabricado no mundo, 'hoje' não pois é a República Popular da China quem produz metade da quantidade de aço disponível nos mercados do mundo. Ora, perante este 'cenário' pergunto: será que o pensamento de Eisenhower que acima reproduzi estará ainda presente nos postulados estratégicos defendidos pela "cúpula" política que dirige os Estados Unidos da América? *********** Acabei de ‘falar’ em liberdade. Neste ‘caso’, comercial. Aproveito, no entanto, para reproduzir algumas das palavras que escrevi aqui no blogue no dia 4 de Julho de 2019. Assim: "o presidente do país Thomas Woodrow Wilson (eleito pelo Partido Democrata) havia escrito as seguintes palavras no seu livro "The New Freedom" (publicado em 1913, já depois de se ter tornado no 28.º presidente dos Estados Unidos da América): "Tornámo-nos num dos governos pior governados e completamente dominados e controlados do mundo civilizado. Não mais um governo baseado na livre opinião, em convicções e no voto da maioria dos cidadãos mas, na verdade, um governo formado pelas opiniões de pequenos grupos de homens e por eles condicionado"".