05/03/2023

Cartas portuguesas ou francesas?

Embora não exista qualquer dúvida de que a obra "Novas cartas portuguesas" tenha sido escrita por Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta e originalmente publicada em 1972, a mesma conclusão não pode ser declarada em relação às primeiras "As cartas portuguesas" (por assim dizer): ainda que, por exemplo, a poetisa Ana Luísa Amaral tenha referido na "Breve Introdução" na edição de "Novas cartas portuguesas" que organizou que esta mesma obra reescrevia "pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa" [Mariana Alcoforado, que viveu entre 1640 e 1723], muitos acreditam, porém, que tenham sido escritas pelo escritor e diplomata francês Gabriel-Joseph de Lavergue, Visconde de Guilleragues (que viveu entre 1628 e 1685)...

04/03/2023

A história e "Bibius Caesar"

Deparo-me, por vezes - infelizmente - com a seguinte questão: "por quê estudar história?". Ora, referi, há pouco, "infelizmente" pois tenho já bastante dificuldade para compreender que, na "Era da Informação", continue a existir esta - e outras... - questão ("ões"). Assim, mais uma vez, cá vai uma hipótese de resposta: estudar história é essencial para que conheçamos o nosso passado (enquanto espécie humana) e possamos, assim, fazer escolhas conscientes e, talvez, sabedoras, para o nosso presente e futuro. Por exemplo, quem não estude história e tivesse visto um dos cartazes que foi empunhado numa manifestação que se realizou há algumas semanas em Israel a propósito de reformas no sistema judicial do país, não compreendeu nem a manipulação realizada ao rosto do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nem, claro, as palavras constantes nesse mesmo cartaz: "Bibius Caesar". Ora, "Bibi" é uma espécie de alcunha do referido primeiro-ministro e "Caesar" porque o que é actualmente o território de Israel foi uma província do Império Romano - a "Judeia" - que era chefiado por um imperador - "César" (ou, em latim, "Caesar") - e o seu verdadeiro nome culminava, geralmente, com as letras "us". Sendo o Império Romano considerado enquanto "opressor" (na "Judeia" e não só, claro), a referência "Bibius Caesar" queria transmitir a perspectiva de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - e as reformas empreendidas pelo executivo governativo por si chefiado na 'área' judicial (apenas?) - estavam a oprimir a sociedade israelita como outrora o haviam feito o imperador romano e seus emissários na "Judeia".

03/03/2023

Abdicar: um imperador e um papa

Ainda há dias aqui escrevi sobre um imperador romano. Diocleciano. Que abdicou do 'seu' cargo. Ora, por exemplo, também o papa Bento XVI se tornou, em 2013, no primeiro papa a resignar - ou "abdicar" - desde 1415 quando o seu antecessor Gregório XII tomou essa decisão.

02/03/2023

A capital do sofrimento

Ouvi há dias, numa estação de rádio que emite em Portugal, a entrevista feita ao filósofo francês Bernard-Henri Lévy antes da estreia, na capital ucraniana, de um documentário por si realizado. Ora, referiu, por exemplo, nessa entrevista que a "Ucrânia é hoje a capital do sofrimento, sem dúvida". Com efeito, também eu não tenho qualquer dúvida de que a Ucrânia actual é um espaço repleto de sofrimento. Mas não é, infelizmente, a "capital" do sofrimento. Muitos são os lugares da Terra que actualmente são afligidos pela guerra. E não só: pela pobreza ("extrema", por vezes), pelas chamadas "alterações climáticas", pela ausência da Lei, da Educação e da Saúde. Não tenho também assim qualquer dúvida em classificar como "eurocêntrico" o pensamento de que a Ucrânia é a "capital" do sofrimento humano. Já nem menciono o sofrimento que, mesmo na chamada "Europa civilizada", muitos 'devem' à ausência da Saúde Mental...

01/03/2023

Diocleciano e o palácio

O imperador romano Diocleciano governou o Império desde o ano 284 (da chamada "Era Cristã") até 305, em que abdicou. Nascido na província romana "Dalmácia" (na actual região dos Balcãs), acabou por aí mandar construir um palácio que ainda existe e que ocupa cerca de metade do núcleo mais antigo da cidade croata "Split".

28/02/2023

Nicolau de Langres e a decência

O prospecto alusivo à exposição - ou "mostra" - "Restauração e a fortificação moderna. Nicolau de Langres e as praças no Alentejo" que a Biblioteca Nacional de Portugal acolheu em 2022 fez, por exemplo, esta referência: "Mas a partir de 1661, Nicolau de Langres integrou-se no exército de D. João da Áustria [filho ilegítimo do rei de Portugal Filipe III e nomeado em 1661, precisamente, "Capitão Geral da Conquista do Reino de Portugal"] a quem pretendia oferecer este códice ["Desenhos e plantas de todas as praças do Reyno de Portugal", escrito pelo mesmo Nicolau de Langres], como se refere no prefácio: 《que pode servir e facilitar a conquista do reino de Portugal, e dar a conhecer todo o meu conhecimento no que diz respeito a esta matéria durante os dezassete anos que servi o dito reino.》".

27/02/2023

A primeira. Ou não?

Li, há dias, que com a "operação militar especial" - ou "guerra"... - actualmente em curso na Ucrânia "nasceu o início de uma guerra de alta intensidade, a primeira na Europa do pós-guerra". Ora, sendo o que li um pequeníssimo excerto de um texto de opinião, apenas posso concordar - ou não. Se esta é, efectivamente, a primeira guerra de alta intensidade a ter lugar no continente no pós-guerra. Assumindo que o referido "pós-guerra" signifique o período após o fim da Segunda Guerra Mundial. Não tendo eu, com efeito, formação militar, não se levará a mal que coloque as seguintes questões: o que é "alta intensidade" e será que a "Guerra da Bósnia" não foi de "alta intensidade"?