Assinala-se
hoje o Dia Internacional da Biodiversidade.
Mais
do que recordar a viagem que, em 1831, o naturalista inglês Charles
Darwin iniciou a bordo do navio Beagle e as suas observações
que mudariam a forma de se compreender o mundo – com a formulação
da teoria da Evolução das Espécies e o consequente
‘desmantelamento’ da teoria Criacionista do mundo –, a
‘efeméride’ que hoje se assinala relembra-nos, como referiu, há
anos, a professora Maria Amélia Martins-Loução, "a
necessidade de olhar a biodiversidade como um tema crucial das nossas
vidas".
Certamente.
No
entanto, e como o Tempo tem passado mas pouco (ou nada) “palpável”
e “positivo” parece ter “avançado”, cito um texto que
escrevi também já há um ano.
"Os
Professores Ron Milo e Yinon M. Bar-On (ambos docentes no Instituto
Weizmann de Ciência,
em Israel) e Rob Phillips (oriundo do Instituto
de Tecnologia da Califórnia,
nos Estados Unidos da América) são os autores de um trabalho –
“The
biomass distribution on Earth”
– recentemente publicado, online,
pelo jornal científico Proceedings
of the National Academy of Sciences of the United States of America
(PNAS).
Nele
se afirmou, com base em dados científicos e, pois, rigorosos, que a
espécie humana (que, recorde-se, conta actualmente mais de sete
biliões de ‘efectivos’), representando sempre uma ínfima parte
de todos os seres vivos do planeta Terra, foi a causadora, sobretudo
de forma directa, da destruição de cerca de 83% de todos os
mamíferos e de 50% das plantas.
Mas,
de facto, não é caso para se estranhar esta atitude predadora.
Porque,
como chegou a afirmar o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti, «O
Homem é ainda – tal como sempre foi – brutal, violento,
agressivo, materialista, competidor e construiu, por isso, uma
sociedade de acordo com estas mesmas características»...".
Ora, uma vez que os Estados Unidos da América - poder-se-ia afirmar, ironicamente, que em mais um espectacular momento de liderança do mundo - nunca ratificaram a convenção sobre a diversidade biológica na Terra, receio bem que a conferência da Organização das Nações Unidas sobre a biodiversidade que a China acolherá em 2020 seja só mais uma conferência...
Ora, uma vez que os Estados Unidos da América - poder-se-ia afirmar, ironicamente, que em mais um espectacular momento de liderança do mundo - nunca ratificaram a convenção sobre a diversidade biológica na Terra, receio bem que a conferência da Organização das Nações Unidas sobre a biodiversidade que a China acolherá em 2020 seja só mais uma conferência...
***
Muito
se tem escrito, nas últimas semanas, sobre a possibilidade, bem
real, de Portugal voltar a ter no seu território, de forma permanente, ursos-pardos.
Ora,
creio ser legitima a reflexão de quem, como eu, viu já um ‘busto’
de urso-pardo na "Sala de Caça" do Palácio Nacional de Mafra:
por muito interessante que eu pudesse achar o facto de poder ver, por
assim dizer, ‘exemplares’ do maior carnívoro da Europa em
espaços controlados – "espaços animais" equivalentes às "reservas" que, por todo o mundo, ‘agrupam’ (e controlam…)
alguns seres humanos – ou, mesmo, no seu habitat natural (ou assim
considerado), quem me conseguiria garantir que esses animais não
voltariam a ser exterminados?
Os
nossos antepassados demonstraram em 1843 (ano em que foi morto em
Portugal o último ‘exemplar’ de urso-pardo) que não sabiam
conviver com esse outro mamífero. E agora?
