Ter
lido que as autoridades alemãs iriam devolver às da Namíbia o
padrão aí colocado pelo navegador português Diogo Cão há mais de
quinhentos anos levou-me, desde logo, a concordar com um diplomata
daquele país africano quando afirmou não apenas que "O regresso
da Cruz [o referido padrão] original é um passo importante para nos
reconciliarmos com o nosso passado colonial e o rastro de humilhação
e injustiças sistemáticas que deixou" mas também que apenas "o
confronto e a aceitação deste passado doloroso libertará os
namibianos para consciente e confiantemente poderem confrontar o
futuro".
Mas
também me levou a reflectir no seguinte: quando, em Vila Real, não
há muitos anos, li esta inscrição
- SEGVNDO A TRADIÇÃONESTA CASA NASCEVDIOGO CÃO ESCVÐIRO DA CASA Ð D. JOÃO II QVE Ð1482 A 1486 ÐSCOBRIV E EXPLOROV A COSTA OCIDENTAL Ð AFRICAÐEÐ O RIO ZAIRE À SERRA PARDA
não
me recordei – imediatamente, pelo menos –, do facto de Diogo Cão
ter, em 1479 (ou em 1480, não tenho a certeza), aprisionado, no
Golfo da Guiné, um pirata/corsário francês e o ter trazido para
Portugal.
Recordei-me,
na verdade, das aulas de História que tive na escola.
E
no muito que nelas me falaram dos Descobrimentos (ou ‘Achamentos’…)
portugueses e de alguns dos seus ‘actores’ principais.
Ora,
Diogo Cão foi um deles.
Percebi,
entretanto, que, em Vila Real, apesar de aí ter, provavelmente,
nascido Diogo Cão, não existia qualquer núcleo museológico que o
homenageasse e, assim, dignificasse a sua figura e a sua acção como
navegador ao serviço da Coroa portuguesa.
Triste,
porque sinceramente acho que quer a memória de Diogo Cão, quer Vila
Real, quer o próprio país o mereciam.
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