16/05/2019

'Olhar' para dentro

Li, há dias, num jornal português publicado "online" que havia sido descoberto no Reino Unido um recipiente em barro contendo cerca de três mil moedas de cobre em circulação no Império Romano ["do tempo em que Constantino foi declarado imperador em York [306 d.C.]"]. Tal descoberta foi já considerada a maior do género, por assim dizer, no país.

O que nunca li num jornal português, publicado "online" ou não, foi efectivamente sobre o extraordinário espólio do Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real.

Ora, de acordo com o que refere – e eu posso, ‘em parte’, confirmar… – a página na Internet do museu:


"A colecção de numismática do MNVR, inaugurada no dia 27 de Maio de 1999, é imponente. Segundo João Parente, coleccionador e primeiro director desta instituição, "iniciou-se em Junho de 1970 com 9 'pacharricas' compradas na aldeia do Cadaval, concelho de Murça, e cresceu seleccionando as moedas diferentes e as variantes encontradas nos tesouros monetários achados em Trás-os-Montes durante os últimos 25 anos".
Compõem a colecção cerca de 35.000 numismas [moedas], sendo formada por moedas provenientes, na sua maioria, da região tra[n]smontana, sendo ainda de referir a aquisição de alguns exemplares com o objectivo de representar determinados tipos de moedas, reis ou imperadores considerados importantes para o discurso expositivo.
Constituem a colecção moedas originárias de três tesouros completos (Santulhão - distrito de Bragança -, Reguengo e Vila Marim - distrito de Vila Real), e porções significativas dos tesouros de Izeda, Santa Maria de Émeres (distrito de Bragança), Poio, Campeã, Mosteirô, Paredes do Alvão, Cadaval, São Caetano e Fiolhoso (distrito de Vila Real), para além de várias provenientes de achados isolados.
O acervo numismático do MNVR está balizado cronologicamente entre os séculos V a.C. e VIII d. C. No entanto, a grande maioria das moedas pertence à época do Império Romano, sendo os séculos III e IV da nossa era os mais representados. Ainda assim, podem observar-se quatro moedas gregas, uma cartaginesa, quatro hispano-romanas, nove ibero-romanas, oito luso-romanas, vinte e cinco hispano-romanas, um conjunto de cento e vinte e oito da República Romana, três Bizantinas e vinte e três Visigóticas.
Está igualmente representada a maior parte das oficinas de cunhagem do Império Romano.
Do total da colecção foram seleccionados para a Exposição Permanente de Numismática cerca de 5.000 espécimes, considerados como representativos da totalidade, procurando o discurso expositivo permitir a percepção, através da quantidade de moedas expostas, da importância da região no seio do Império Romano".


Post scriptum: a vila espanhola de Albuera (localizada a poucos quilómetros de Badajoz) foi 'palco' em 16 de Maio de 1811 de uma batalha envolvendo milícias inglesas, portuguesas e espanholas que, comandadas pelo marechal Beresford, derrotaram o exército francês (que estava sob o comando do marechal Soult).

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