Com cerca de dezoito anos de
idade, Joana d’Arc foi executada em 30 de Maio de 1431 em Rouen (na
região francesa da Normandia).
A
vida – e a morte – de Joana não podem, na verdade, ser
‘separadas’ do contexto geopolítico da época: combatente, pela
França, no sentido de expulsar os soldados ingleses na Guerra dos
Cem Anos, foi presa e, depois, sentenciada na base de inúmeras
acusações convenientemente construídas pela Igreja Católica
(através, por exemplo, do próprio bispo de Beauvais).
Ora,
a sentença que a condenou à morrer na fogueira acabou por ser, mais
de vinte anos depois da sua morte, anulada pelo representante do
Estado francês – Carlos VII – com o apoio da referida Igreja
Católica e mesmo canonizada em 1920 (ou seja, por quem quase
quinhentos anos antes a havia condenado).
E
foi também o rei Carlos VII quem – cerca do ano 1429 – atribuiu
o brasão à família dessa jovem.
E
o respectivo lema: "Consilio firmatei Dei" (ou, em português, "Iremos permanecer Fiéis").
Mas
quem também permaneceu fiel – sobretudo a si mesma – foi uma
outra figura que, noutra latitude, teve igualmente um outro destino
apesar de, claro, estar igualmente sujeita ao ‘jogo’ geopolítico
(e religioso).
Efectivamente,
Antónia Rodrigues (que terá nascido por volta de 1580) decidiu, em
certo momento da sua vida, disfarçar-se de homem e, assim, embarcar
com militares portugueses para o Norte de África para combater os
então designados infiéis (muçulmanos). Depois de revelada a sua
verdadeira identidade – feminina –, foi recompensada por Filipe
II (III em Espanha) com uma tença por actos heróicos a favor de
Portugal.
Assim,
se, hoje, talvez não seja
injusto recordar que Joana
d’Arc representa, enfim, a resistência e a valentia francesas,
também não será injusto
desejar que Antónia
Rodrigues pudesse ser lembrada como um símbolo da luta feminista
quando ainda se não falava de feminismo.
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A única imagem que
existe da guerreira francesa do século XV é um desenho da autoria
de um funcionário do Supremo Tribunal de Paris com data de Maio de
1429.
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