02/05/2019

Uma nova era

O Japão iniciou ontem uma nova 'etapa' da sua história com a era Reiwa do centésimo vigésimo sexto (126) imperador do país, Naruhito.


Espero, sinceramente, que esta nova era no País do Sol Nascente traga também, no que a Portugal diz respeito, um novo impulso às relações culturais até pelo facto do próprio Naruhito ser historiador .


Lembro, de facto, algumas linhas que o escritor e investigador Joaquim Magalhães de Castro - creio que 'baseado', precisamente, no Oriente - escreveu no livro "Oriente Distante" (publicado em 2012): "Quatrocentos e cinquenta anos após a chegada ao Japão da nossa Nau do Trato, o karafune (barco negro), o que é que se sabia dos usos e costumes desse povo à beira-mar esquecido que, um dia, lhes trouxe o teppu, vulgo, espingarda, que, segundo alguns historiadores, teria contribuído decisivamente para o estabelecimento do Japão como estado moderno? Nada. Ou quase nada. Se fizéssemos a pergunta a um japonês comum, a resposta era um inevitável castera. Ou seja, castela, o abastardamento do pão-de-ló aqui introduzido pelos marinheiros quinhentistas, e que depressa se transformaria no doce favorito dos japoneses. Para além disso, talvez os nomes Rosa Mota, Amália Rodrigues ou de qualquer ocasional jogador de futebol acendessem uma luzinha na mente dos cidadãos mais inclinados para o que chegava de fora desse país asiático, que, embora se fartasse de construir pontes de cultura com o resto do mundo, permanecia teimosamente uma ilha, acima de tudo. E pronto. Arquivados ficariam no esquecimento séculos de contactos entre os namban jin e os autóctones das ilhas do Sol Nascente.".





Post scriptum: D. Duarte Pio, pretendente ao trono português – citado pelo jornal Diário de Notícias no segundo dia de Dezembro de 1986 –, revelou, na cerimónia comemorativa do Dia da Restauração da Independência que havia tido lugar no dia anterior numa das salas do lisboeta Castelo de São Jorge que, no decurso da sua recente visita ao Extremo Oriente, havia sentido existirem ainda, para com Portugal, sentimentos de prestígio e reconhecimento na região apesar da "actual quase ausência de expressão cultural e económica portuguesa nessas paragens".

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