A capital de Cuba, Havana, celebra em 2019 quinhentos anos de existência.
Folhear o livro "As Grandes Cidades da História" fez-me querer continuar em contexto urbano embora sem mais me referir a esta cidade e a este 'aniversário'.
Foi na área do Crescente Fértil, no Próximo Oriente, que há cerca de doze mil anos, 'acompanhando' uma nova fase climática da Terra - a pós-glaciar -, grupos humanos se começaram a fixar (ou a sedentarizar) e a viver da caça e da recolecção, 'antepassados' da agricultura e da pastorícia modernas.
Ora, a esta evolução económica da vivência humana correspondeu uma progressiva transformação e complexificaçāo da dimensão social da mesma: o Homem passou então a viver junto da terra em que cultivava e caçava.
Estavam, pois, criadas as bases para a Revolução Urbana.
É para mim, por isso mesmo, pouco relevante saber qual foi exactamente a primeira cidade a surgir: se Ur ou Uruk (no actual Iraque), se Çatal Huyuk ou Göbekli Tepe (na actual Turquia) ou se Jericó (na Palestina).
O livro - coordenado pelo historiador (recentemente falecido) britânico John Julius Norwich, faz, na verdade, uma espécie de viagem por um conjunto de cidades que, subjectivamente, claro, foram importantes para a história da humanidade e por outras que o são.
De facto, muito gostaria que este périplo urbano pudesse, também, suscitar a elaboração de reflexões em torno da Cidade do presente - e do futuro: o excesso populacional e a pressão sobre os recursos naturais disponíveis, por exemplo.
25/05/2019
A Cidade: ontem, hoje e amanhã
24/05/2019
A importância de recuperar a memória
O
Cineteatro Mouzinho da Silveira – localizado em Castelo de Vide, no
distrito de Portalegre – acolheu nos dias 17, 18 e 19 do corrente
mês uma conferência internacional subordinada ao tema, por assim
dizer, “Valorizar e Recuperar a Herança Perdida”.
Ora,
admito que cheguei mesmo a pensar que só muito dificilmente uma
conferência sobre a identidade judaica de (e em…) Portugal poderia
realizar-se noutro local que não naquela região do país.
Pensei
mal, evidentemente.
Porque,
efectivamente, decorre hoje e amanhã na Universidade de Évora uma "evocação dos 450 anos da morte de Garcia de Orta (1568-2018)".
Recordo
que Garcia de Orta nasceu precisamente em Castelo de Vide. Judeu,
tornar-se-ia médico e botânico tendo morrido na Índia (em Goa).
Ora,
numa altura em que em muitas zonas do continente europeu (e também
em Portugal) se discute com base em notícias falsas e de forma "populista" a identidade, julgo não ser tarde para,
pouquíssimos dias depois do Dia da Diversidade Cultural para o
Diálogo e o Desenvolvimento, e recordando uma frase proferida por
Garcia de Orta – "A verdade tem pés, e anda e nunca morre" –,
se recuperar a memória já que esta, como 'representante' única do passado, 'representa' igualmente a única verdade.
Uma
memória ‘composta’, também, de intolerância, de ódio e de
barbárie. Social, económica, étnica e religiosa.
E
perguntar: é esse o ‘caminho’ que queremos trilhar novamente?
23/05/2019
Alemanha, Namíbia e Portugal
Ter
lido que as autoridades alemãs iriam devolver às da Namíbia o
padrão aí colocado pelo navegador português Diogo Cão há mais de
quinhentos anos levou-me, desde logo, a concordar com um diplomata
daquele país africano quando afirmou não apenas que "O regresso
da Cruz [o referido padrão] original é um passo importante para nos
reconciliarmos com o nosso passado colonial e o rastro de humilhação
e injustiças sistemáticas que deixou" mas também que apenas "o
confronto e a aceitação deste passado doloroso libertará os
namibianos para consciente e confiantemente poderem confrontar o
futuro".
Mas
também me levou a reflectir no seguinte: quando, em Vila Real, não
há muitos anos, li esta inscrição
- SEGVNDO A TRADIÇÃONESTA CASA NASCEVDIOGO CÃO ESCVÐIRO DA CASA Ð D. JOÃO II QVE Ð1482 A 1486 ÐSCOBRIV E EXPLOROV A COSTA OCIDENTAL Ð AFRICAÐEÐ O RIO ZAIRE À SERRA PARDA
não
me recordei – imediatamente, pelo menos –, do facto de Diogo Cão
ter, em 1479 (ou em 1480, não tenho a certeza), aprisionado, no
Golfo da Guiné, um pirata/corsário francês e o ter trazido para
Portugal.
Recordei-me,
na verdade, das aulas de História que tive na escola.
E
no muito que nelas me falaram dos Descobrimentos (ou ‘Achamentos’…)
portugueses e de alguns dos seus ‘actores’ principais.
Ora,
Diogo Cão foi um deles.
Percebi,
entretanto, que, em Vila Real, apesar de aí ter, provavelmente,
nascido Diogo Cão, não existia qualquer núcleo museológico que o
homenageasse e, assim, dignificasse a sua figura e a sua acção como
navegador ao serviço da Coroa portuguesa.
Triste,
porque sinceramente acho que quer a memória de Diogo Cão, quer Vila
Real, quer o próprio país o mereciam.
22/05/2019
A biodiversidade
Assinala-se
hoje o Dia Internacional da Biodiversidade.
Mais
do que recordar a viagem que, em 1831, o naturalista inglês Charles
Darwin iniciou a bordo do navio Beagle e as suas observações
que mudariam a forma de se compreender o mundo – com a formulação
da teoria da Evolução das Espécies e o consequente
‘desmantelamento’ da teoria Criacionista do mundo –, a
‘efeméride’ que hoje se assinala relembra-nos, como referiu, há
anos, a professora Maria Amélia Martins-Loução, "a
necessidade de olhar a biodiversidade como um tema crucial das nossas
vidas".
Certamente.
No
entanto, e como o Tempo tem passado mas pouco (ou nada) “palpável”
e “positivo” parece ter “avançado”, cito um texto que
escrevi também já há um ano.
"Os
Professores Ron Milo e Yinon M. Bar-On (ambos docentes no Instituto
Weizmann de Ciência,
em Israel) e Rob Phillips (oriundo do Instituto
de Tecnologia da Califórnia,
nos Estados Unidos da América) são os autores de um trabalho –
“The
biomass distribution on Earth”
– recentemente publicado, online,
pelo jornal científico Proceedings
of the National Academy of Sciences of the United States of America
(PNAS).
Nele
se afirmou, com base em dados científicos e, pois, rigorosos, que a
espécie humana (que, recorde-se, conta actualmente mais de sete
biliões de ‘efectivos’), representando sempre uma ínfima parte
de todos os seres vivos do planeta Terra, foi a causadora, sobretudo
de forma directa, da destruição de cerca de 83% de todos os
mamíferos e de 50% das plantas.
Mas,
de facto, não é caso para se estranhar esta atitude predadora.
Porque,
como chegou a afirmar o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti, «O
Homem é ainda – tal como sempre foi – brutal, violento,
agressivo, materialista, competidor e construiu, por isso, uma
sociedade de acordo com estas mesmas características»...".
Ora, uma vez que os Estados Unidos da América - poder-se-ia afirmar, ironicamente, que em mais um espectacular momento de liderança do mundo - nunca ratificaram a convenção sobre a diversidade biológica na Terra, receio bem que a conferência da Organização das Nações Unidas sobre a biodiversidade que a China acolherá em 2020 seja só mais uma conferência...
Ora, uma vez que os Estados Unidos da América - poder-se-ia afirmar, ironicamente, que em mais um espectacular momento de liderança do mundo - nunca ratificaram a convenção sobre a diversidade biológica na Terra, receio bem que a conferência da Organização das Nações Unidas sobre a biodiversidade que a China acolherá em 2020 seja só mais uma conferência...
***
Muito
se tem escrito, nas últimas semanas, sobre a possibilidade, bem
real, de Portugal voltar a ter no seu território, de forma permanente, ursos-pardos.
Ora,
creio ser legitima a reflexão de quem, como eu, viu já um ‘busto’
de urso-pardo na "Sala de Caça" do Palácio Nacional de Mafra:
por muito interessante que eu pudesse achar o facto de poder ver, por
assim dizer, ‘exemplares’ do maior carnívoro da Europa em
espaços controlados – "espaços animais" equivalentes às "reservas" que, por todo o mundo, ‘agrupam’ (e controlam…)
alguns seres humanos – ou, mesmo, no seu habitat natural (ou assim
considerado), quem me conseguiria garantir que esses animais não
voltariam a ser exterminados?
Os
nossos antepassados demonstraram em 1843 (ano em que foi morto em
Portugal o último ‘exemplar’ de urso-pardo) que não sabiam
conviver com esse outro mamífero. E agora?
21/05/2019
Os "cowboys" do apocalipse
Tendo sido um país
politicamente nascido à beira do século XVIII, quase tudo nos
Estados Unidos da América começou por ser o resultado de uma
apropriação cultural.
Como
a palavra "cowboy" – e, claro, o trabalho por este desenvolvido
–, importada do México – que, como o lema actual do estado do
Novo México, "Crescit eundo" (ou, em português, "Cresce
avançando"), foi avançando e crescendo.
México
que, por sua vez, também a ‘importou’ (através da colonização)
de Espanha onde existia como "vaquero".
Que,
também por sua vez, terá ‘sofrido’ uma espécie de contaminação
ortográfica e linguística do "vaqueiro" usado em Portugal
(recorde-se, por exemplo, "O Monólogo do Vaqueiro" de Gil
Vicente).
Ora,
alguns séculos depois – em (21 de) Maio de 1979 – foi feita a
apresentação pública (no Festival de Cannes) do filme Apocalypse
Now, realizado por Francis Ford Coppola.
Para
muitos, este filme não se ‘limitou’ a fazer um ‘retrato’ da
intervenção militar norte-americana no Vietname.
De
facto, ele terá ajudado a esboçar um panorama mais claro do
contexto geopolítico que envolvia a guerra nesse país asiático e,
sobretudo, terá revelado – como poucos filmes, norte-americanos ou
não, o têm sequer feito de então para cá –, mesmo que
involuntariamente, a tal "mentalidade de cowboy".
E
já em 2019, o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep
Borrell, acusou, numa entrevista televisiva (à TVE), os mais ‘altos’
dignitários do poder político norte-americano de terem uma
"mentalidade de cowboy" em relação à situação na
Venezuela.
![]() | |||
| Poucos filmes realizados por cineastas norte-americanos têm vindo a denunciar uma espécie de mentalidade de "cowboy" dos Estados Unidos da América como Apocalypse Now de Francis Ford Coppola. |
20/05/2019
Princeza e Fanqueiros
Pedi
ao Gabinete de Estudos Olisiponenses se me saberia indicar
pormenores, por assim dizer, sobre a indicação que se encontra
ainda na Rua dos Fanqueiros.
- Rua Nova da Princeza5.ª Divisão do LadoOccidental
Ora,
efectivamente, uma resposta – muito atenciosa, por sinal –
foi-me, dias depois, transmitida por alguém do referido gabinete da
edilidade lisboeta.
Partilho-a,
pois:
"Em
5/11/1760, foi inaugurada em Lisboa a prática de atribuição de
nomes de ruas por decreto. Neste diploma, D. José estabeleceu
a denominação dos arruamentos localizados entre a Praça do
Comércio e o Rossio, ao mesmo tempo que regularizava a distribuição
dos ofícios e ramos do comércio.
O arruamento foi denominado "Rua Nova da
Princesa" e nela ficaram arruados os "Mercadores de
Lançaria ou Fancaria, destinando-se os sobejos della se os houver,
às lojas de quinquilharia".
Por edital da CML de 08/06/1889, passou a
denominar-se "Rua da Princesa".
Com o advento da Implantação da República em
5/10/1910, foram alterados vários topónimos diretamente ligados à
Monarquia. Um deles foi a "Rua da Princesa", que por edital
de 5/11/1910, viu o seu topónimo alterado para "Rua dos
Fanqueiros"".
Post scriptum: assinala-se hoje 521 anos desde que o navegador Vasco da Gama chegou a Calecute, na Índia. Recordo que, nesse tempo, portugueses e espanhóis dominavam os mares. Ora, é evidente que hoje, cinco séculos volvidos dessa extraordinária viagem, tudo é (muito) diferente: Portugal há muito que deixou de ser um 'actor' importante nos oceanos da Terra (a não ser em 'operações' de cariz humanitário ou de segurança). E Espanha? Creio que não deixa de ser interessante lembrar que um interveniente marítimo pouquíssimo relevante na actual conjuntura geopolítica do mundo irá treinar com a frota da marinha norte-americana num 'exercício' na zona do Indo-Pacífico: de facto, a fragata espanhola Méndez Núñez integrará o 'exercício' naval 'encabeçado' pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln numa missão de meio ano no Mar do Sul da China (mas não no Golfo Pérsico).
Post scriptum: assinala-se hoje 521 anos desde que o navegador Vasco da Gama chegou a Calecute, na Índia. Recordo que, nesse tempo, portugueses e espanhóis dominavam os mares. Ora, é evidente que hoje, cinco séculos volvidos dessa extraordinária viagem, tudo é (muito) diferente: Portugal há muito que deixou de ser um 'actor' importante nos oceanos da Terra (a não ser em 'operações' de cariz humanitário ou de segurança). E Espanha? Creio que não deixa de ser interessante lembrar que um interveniente marítimo pouquíssimo relevante na actual conjuntura geopolítica do mundo irá treinar com a frota da marinha norte-americana num 'exercício' na zona do Indo-Pacífico: de facto, a fragata espanhola Méndez Núñez integrará o 'exercício' naval 'encabeçado' pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln numa missão de meio ano no Mar do Sul da China (mas não no Golfo Pérsico).
18/05/2019
Arábias e Djibouti
Quem
ler apenas o título do livro que a jornalista e escritora Leonor
Xavier publicou há não muito tempo poderá, talvez, julgar que se
trata de (mais um) romance: "Uma Viagem das Arábias".
Creio,
contudo, que o subtítulo é esclarecedor: "Na Rota dos Portugueses
em Omã, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e Egipto".
No
entanto – e embora muito pudesse escrever sobre a acção
portuguesa no Mar Vermelho, no Golfo Pérsico, no Golfo de Omã e no
próprio Mar Arábico –, foco a minha atenção num pequeno país
localizado no nordeste de África que não tem, ao que sei, uma
influência portuguesa directa, por assim dizer: o Djibouti.
Ora,
para além de ter como ‘vizinhos’ a Etiópia, a Eritreia e a
Somália, o Djibouti situa-se na confluência do Golfo de Áden e do
Mar Vermelho (verdadeira ‘antecâmara’ do canal do Suez, por onde
‘passa’ cerca de dez por cento do petróleo exportado em todo o
mundo bem como cerca de vinte por cento de todos os bens exportados
comercialmente).
Não
é, pois, por mera coincidência que todas as grandes potências
económicas do mundo actual querem ter uma presença neste país
(através de bases militares, por exemplo)...
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