Escreveu o filósofo britânico John Stuart Mill na sua obra "On Liberty" (de 1859) o seguinte a propósito da China e dos Chineses:
"Há milhares de anos que estão estagnados. E se quiserem melhorar terá, necessariamente, que ser através de estrangeiros".
Mas, extraordinária coincidência, quando estas palavras foram publicadas já a Grã-Bretanha tinha feito - e estava ainda a fazer - guerra à China pois esta recusava-se, pura e simplesmente, a importar as quantidades de droga exigidas, no caso, por mercadores ingleses: a chamada Primeira Guerra do Ópio lutou-se entre 1839 e 1842 e a Segunda entre 1856 e 1860.
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Nesta gravura - "
En Chine
Le gâteau des Rois
et... des Empereurs" - datada do fim do século XIX e desenhada por H. Meyer - a China é
retalhada por diversos países: pela Inglaterra (representada pela
Rainha Vitória), pela Alemanha (representada pelo "Kaiser"
Guilherme II), pela Rússia (representada pelo "Czar"
Nicolau II), enquanto que a França (representada pela 'figura' da República)
e o Japão (representado por um 'samurai') assistem.
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De facto, o cientista político norte-americano Samuel Huntington sublinharia, já no fim do século XX (em 1993, se não me engano) no seu livro "O Choque das Civilizações" ("The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order", no título original) que "O Ocidente 'ganhou' o mundo não pela superioridade dos seus ideais, valores ou religião mas sim pela utilização sistemática da violência. Os ocidentais esquecem, muito frequentemente, este facto mas os não-ocidentais nunca o fazem".
O medo da China - e da Ásia, enfim - parece estar de volta...
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