Dada a 'transversalidade', étnica e cultural, do racismo, opto por reproduzir integralmente um pequeno texto que, sobre tal 'fenómeno', escrevi há não muitos anos:
"A
sala Luís Miguel Cintra do São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa,
estreou ontem, 5 de Outubro, a peça “Os Negros” (do dramaturgo
francês Jean Genet).
Lembrei-me,
a propósito desta exibição teatral, da emissão do programa
televisivo Prós e Contras que o canal 1 da estação RTP
transmitiu em meados de Julho passado já que nele se pretendeu dar
uma resposta à pergunta «Portugal é um país racista?».
Relembro,
por isso, as palavras iniciais da apresentadora do programa: «O
conceito de racismo tem um largo trajecto histórico desde o primeiro
contacto das raças até aos nossos dias. Se, no início, a própria
ciência contribuiu para a base e elaboração, hoje, o
conceito de racismo sustenta-se, cada vez mais, na ideia de
diferença e incompatibilidade de culturas. Por outro lado, os níveis
de racismo podem ser vários, dependendo de diversos factores (entre
eles, os quadros legislativos de cada nação). Mais frequente
é a discriminação racial ou de outra índole. (…).
Será o Portugal de hoje, no século XXI, multicultural e –
na frase do maior patologista do mundo, Manuel Sobrinho
Simões, «descendente de uma notável mistura de genes» –
numa alusão clara aos caminhos que a nossa história
percorreu, será que Portugal é, hoje, um país racista?».
Compreendo
que se diga que «hoje, o conceito de racismo sustenta-se,
cada vez mais, na ideia de diferença e incompatibilidade de
culturas».
Compreendo mas não concordo.
Penso que o que motiva o racismo
é a aparência física do ‘Outro’.
Ou, como dizem os antropólogos,
o fenótipo.
A cor da pele.
Digo assim: o sentimento
‘clássico’ racismo baseia-se, sobretudo, na aparência
física (na cor da pele) do outro indivíduo (seja ele quem for) e só
depois na tal diferença cultural.
E,
como não concordo com a bondade das generalizações, tenho
muitíssimas dificuldades em aceitar a validade científica da
pergunta «Portugal
é um país racista?»:
Portugal é, sim, um país
onde vivem pessoas que acreditam nas virtudes do racismo.
Como,
de resto, muitas pessoas originárias de países da América, de
África [em que Angola se inclui], da Europa, da Ásia e da Oceânia...".
Sem comentários:
Enviar um comentário